PRESIDENTE DO CONDEMAT

Adriano Leite: Cidades unidas no combate ao novo coronavírus

Adriano Leite é prefeito de Guararema e presidente do Condemat. (Foto: Divulgação)
Adriano Leite é prefeito de Guararema e presidente do Condemat. (Foto: Divulgação)

As câmaras técnicas do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) têm atuado de diferentes maneiras para combater o novo coronavírus. Fiscalização e conscientização são algumas das ações, que incluem a tomada de decisões importantes na saúde e em outras áreas dos municípios da região, mais Guarulhos e Santa Branca. Na última semana, o secretário de Estado de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, prometeu mais leitos para o Hospital Regional Dr. Osiris Florindo Coelho, em Ferraz de Vasconcelos. Este é um dos assuntos comentados nesta entrevista pelo presidente do grupo e também prefeito de Guararema, Adriano de Toledo Leite, que apesar de comemorar o fato de ter algumas demandas atendidas pelo governo estadual, diz que continuará “insistindo para que a realidade do Alto Tietê seja considerada no planejamento pós-quarentena”.

Como tem sido o trabalho do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) no combate ao coronavírus?

O consórcio tem sido estratégico neste momento difícil pelo qual estamos passando, liderando em várias frentes e colocando ainda mais em evidência a necessidade de atuação em bloco, pois a ação isolada de uma cidade afeta diretamente toda a região. Decisões importantes são tomadas a partir do trabalho feito pelas equipes municipais que compõem as câmaras técnicas do Condemat. E aqui não falo apenas da saúde, que está na linha de frente, mas também de várias outras áreas que são afetadas pela pandemia e que precisam ter as ações reinventadas para minimizar os impactos e para a retomada quando tudo isso passar.

Qual é o maior desafio deste combate?

Sem dúvida, controlar a disseminação do vírus para assegurar que menos pessoas sejam infectadas. A tomada de decisões precisa respeitar as recomendações de saúde, e a única saída apresentada até o momento para controlar o avanço do coronavírus é o isolamento social. Existem vários outros desafios diários, que vão desde a garantia da rede de saúde para o atendimento adequado da população atingida pela doença até alternativas que possibilitem, ainda que em condições mínimas, a continuidade das atividades empresariais para a sobrevivência das empresas e manutenção dos empregos.

E como é presidir, durante uma pandemia e crise sanitária e econômica, um grupo formado por 12 cidades, sendo 11 da região (incluindo Guarulhos) mais Santa Branca?

Já tive a oportunidade de presidir o Condemat no ano de 2017, o primeiro da gestão dos atuais prefeitos. Isso facilita bastante porque já há um entendimento sobre a estrutura e funcionamento do consórcio. Há muitas críticas e pressão sobre os gestores municipais, mas a atuação em bloco, válidas para a região, minimiza as dificuldades diárias. Em 2017, a preocupação do Condemat era deixar de ser apenas um órgão consultivo e ser realizador de projetos e iniciativas que permitissem o avanço da Região. Agora, além disso, temos que aprender a lidar com algo inédito, com reflexos incalculáveis e que são desastrosos tanto para uma cidade como Guarulhos, que tem mais de um milhão de habitantes e é a segunda maior economia do Estado, como para Salesópolis, que tem 20 mil moradores e um orçamento reduzido.

O Condemat solicitou a inclusão do Alto Tietê no Conselho Municipalista, cuja função é avaliar a futura flexibilização da quarentena e retomada total da economia em São Paulo, certo? Na reunião online da última terça-feira, dia 12, com o secretário de Estado de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, porém, foi anunciado que o governador João Doria deverá criar um fórum com representantes das regiões para discutir as ações contra a Covid-19. Essa medida era esperada pelo grupo?

O que pontuamos ao secretário Vinholi é que o Alto Tietê possui características diferentes da Capital, apesar de estar colado a ela. Além disso, temos mais de três milhões de habitantes, o que representa o segundo maior contingente populacional da Região Metropolitana, depois de São Paulo. Medidas adotadas para a Capital nem sempre se encaixam na nossa realidade. O secretário informou que para dar maior dinamismo, apenas São Paulo representará a Região Metropolitana no Conselho Municipalista. Mas ele se dispôs ao diálogo constante com os nossos prefeitos e o fórum também dará a oportunidade para que as necessidades das cidades sejam apresentadas e levadas ao Conselho. Vamos continuar insistindo para que a realidade do Alto Tietê seja considerada no planejamento pós-quarentena.

Nesta mesma reunião, o Estado atendeu o pleito do Condemat e incluiu o Hospital Regional de Ferraz de Vasconcelos como referência sobre o novo coronavírus. A medida prevê a criação de 30 leitos para pacientes acometidos pela doença. O que essa conquista representa?

O reforço na estrutura de saúde de todo o Alto Tietê é fundamental na luta contra o coronavírus, mas no Hospital Regional de Ferraz ele é estratégico porque a unidade tem capacidade para essa ampliação e, além de Ferraz, atende as cidades vizinhas como Poá, Itaquaquecetuba e Suzano. E diante da pandemia de Covid-19 era inadmissível a unidade não ser uma referência para o atendimento dos casos do Alto Tietê. Ainda ficamos na expectativa de funcionamento dos leitos prometidos para essa semana e também para a ampliação em outros hospitais da região.

No início do mês o senhor pediu maior respaldo do Estado na fiscalização do isolamento social, e disse que as represas e outros pontos da região “estão sendo muito procuradas pelas pessoas”. Como fica esta questão? O que as prefeituras podem fazer?

As prefeituras já reforçaram as equipes de fiscalização e estão trabalhando muito com a conscientização da população sobre o isolamento social. Um dos apelos é para que os moradores também colaborem com denúncias de aglomerações, festas e outros movimentos que contrariam as recomendações das pessoas permanecerem em casas. Alguns municípios estudam medidas legais, por exemplo, para bloquear as locações de chácaras e sítios nos sites especializados. Mas há limitações estruturais das prefeituras para a fiscalização 24 horas, todos os dias e em todo o território. Por isso o apoio das Polícias é importante e o Estado prometeu reforçar a solicitação.

No combate ao novo coronavírus, as cidades da região têm se unido. Exemplos são o compartilhamento das máscaras cirúrgicas apreendidas em Arujá e a doação do remédio Plaquinol, composto por sulfato de hidroxicloroquina, pela prefeitura de Suzano. Que avaliação pode ser feita desta união?

A união das cidades é o propósito do consórcio desde a sua fundação e agora, em 2020, quando completa 10 anos, vemos que isso está fortalecido. Os atuais prefeitos não pensam apenas no seu município. Muitas das ações, investimentos e projetos, mesmo sendo de iniciativa da prefeitura, têm aspecto regional, pois a melhoria de uma cidade impacta diretamente na outra. O compartilhamento das máscaras apreendidas em Arujá e a doação de medicamentos recebida por Suzano é o melhor exemplo do “pensar” Alto Tietê.

Em Guararema, cidade em que o senhor é prefeito, a “blitz sanitária” foi adotada rapidamente nas entradas do município, e também foram implantadas outras normas, como a restrição de pessoas em supermercados, por exemplo. O que faz com que o município saia à frente nestas questões?

As cidades do nosso consórcio possuem características muito distintas, por isso, o respeito à autonomia mesmo com a prioridade para decisões de âmbito regional. Guararema, em especial, tem menos de 50 mil habitantes e possui três entradas principais, que facilitam o controle de acesso. Além disso, tem o suporte do Centro de Segurança Integrada (CSI), com monitoramento 24 horas e cobertura de parcela significativa do seu território. Outras cidades não têm a mesma estrutura ou, principalmente, possuem muitos acessos que dificultam as barreiras. Ainda assim, todos os municípios do Condemat estão empenhados com ações para controlar a disseminação do vírus, e estamos pedindo o apoio do Estado para reforçar ainda mais a fiscalização na região.

O senhor destacaria alguma das cidades do Condemat como sendo a mais crítica em relação ao Covid-19?

Nosso olhar precisa ser regional, pois a doença está presente nas 12 cidades do Condemat e temos vítimas fatais em todas delas. Isso é mais do que suficiente para deixar todas em alerta até porque há uma grande circulação de moradores entre as cidades. Entre as sub-regiões que formam a Região Metropolitana, o Alto Tietê tem uma das maiores taxas de letalidade, e pelos dados estatísticos, Guarulhos é o município com o maior número de casos confirmados e de óbitos, mas é também o maior em número de habitantes.

Considerando sua experiência política e também sua atuação como jornalista, que reflexos, consequências e mudanças o senhor acredita que esta crise trará para a sociedade?

Ainda é difícil estabelecer todos os reflexos da atual pandemia. No entanto, acredito que as mudanças comportamentais serão bastante relevantes. As pessoas já entenderam a importância dos hábitos de higiene e da etiqueta respiratória, por exemplo, e eles devem ser incorporados naturalmente à rotina. O que é muito bom porque esses hábitos são importantes para o controle de muitas outras doenças. A convivência familiar também tem sido reforçada neste período de quarentena e deve passar a ser mais valorizada. Há também mudanças nas formas de trabalho e compra de produtos, que vão refletir nos modelos de negócios e nas empresas.


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