EDITORIAL

Agentes poluentes

“O exemplo mogiano serve para mostrar a gravidade de casos de Minas e do litoral nordestino”

No momento em que cientistas, ambientalistas e outros especialistas buscam esclarecer o mistério do óleo trazido pelo oceano, responsável por poluir as praias de vários estados do Nordeste brasileiro, uma notícia publicada na edição de ontem deste jornal demonstra até quando podem durar os efeitos de uma poluição desse tipo.

Reportagem de autoria de Natan Lira revelou que passados oito anos do acidente que provocou um dos maiores derramamentos de combustível em área habitada de Mogi das Cruzes, o local ainda sofre com os efeitos do acúmulo de gasolina no subsolo, em que pesem as trocas de solo, multas e outras ações da Cetesb para exigir a remediação – termo técnico utilizado para designar recuperação ou despoluição do local.

Tudo começou em 2011, quando uma máquina a serviço da Prefeitura de Mogi das Cruzes atingiu um duto da Transpetro, que se rompeu, fazendo com que 180 mil litros de gasolina se espalhassem pelas proximidades da Estrada do Ramal, na Volta Fria. Estudos realizados à época mostraram que tal quantidade de combustível vazada teria potencial para contaminar uma área equivalente a 5 mil m², o que permite que este seja considerado um dos maiores (senão o maior) acidentes ambientais da história do município.

Mais de uma dezena de famílias tiveram de abandonar suas casas, às pressas, sob risco de explosão, tal a quantidade de combustível que se espalhou por entre a vegetação, contaminando toda aquela região.

Ao longo desses oito anos, o que foi feito para recuperar as condições ambientais daquela região parece ter sido insuficiente, já que muitas famílias que retornaram às suas antigas propriedades ainda são obrigadas a conviver com o odor forte da gasolina, sempre que a temperatura ambiente sobe alguns graus acima do normal.

O episódio ocorrido na cidade dá bem uma mostra dos efeitos que a poluição por combustíveis pode causar ao meio ambiente. O exemplo mogiano serve para demonstrar a gravidade de casos ocorridos em Minas Gerais e nas praias do litoral de alguns estados nordestinos. E se há dificuldade de eliminação plena desses resíduos numa localidade a pouco mais de 50 quilômetros da mais importante capital do País, em que se conhecia o agente responsável pela poluição, o que dizer do que poderá ocorrer com as regiões mais distantes, onde a fiscalização é rara e existem dificuldades até para se apurar quem foi o causador do desastre ecológico?

Só mesmo um governo muito rígido com as questões ambientais poderia dar alguma esperança de solução definitiva para tais problemas. Mas preocupação com a área ambiental é algo que administração atual ainda está por demonstrar.

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