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Agricultores de Quatinga doam parte da safra após fechamento de feiras

AÇÃO Produtores rurais distribuem gratuitamente verduras, frutas e outros alimentos frescos à entidade. (Foto: divulgação)

Um grupo formado por agricultores começou a distribuir gratuitamente ontem uma parte da produção de verduras, frutas e outros alimentos frescos e itens cultivados em sítios do distrito de Quatinga, em Mogi das Cruzes. A primeira entidade atendida foi o Banco de Alimentos da Prefeitura de Santo André. Outras instituições deverão receber uma parte das safras que não está sendo jogada fora, desde que a suspensão de feiras e o fechamento de restaurantes começou a penalizar especificamente os produtores rurais de pontos mais afastados.

Em Quatinga, afirma a produtora Simone Silotti, o baque é ainda mais sentido porque a distância (30 quilômetros do centro) não leva o comprador à porta dos sítios. Uma saída encontrada foi “vender” a safra a pessoas interessadas em manter essa cadeia produtiva e doar os alimentos a quem mais precisa.

Ontem, foi feita a primeira entrega ao Banco de Alimentos da cidade vizinha ao distrito. Foram mais de 200 maços de rúcula levados por Simone a Santo André em uma caminhonete – porque o caminhão da propriedade dela está no conserto, mas o transporte deverá ser melhorado nos próximos dias.

À medida que a arrecadação da “vaquinha” online liberar os recursos, produtos de agricultores que estão no ponto para a colheita serão distribuídos. O modelo irá atender quem está com as hortaliças, frutas, cogumelos, flores e outros nesta situação. Até ontem, 15 proprietários estavam no grupo. A expectativa é atingir 20 propriedades rurais.

Como Simone, a produção agrícola de Quatinga emprega trabalhadores do próprio distrito. E muitas operam no sistema de hidroponia, que tem uma particularidade: quando os alimentos estão prontos para serem vendidos, não dá para atrasar o ciclo de crescimento e as perdas são inevitáveis.

Emocionada, ela conta que teve de descartar muitos maços de verduras nos primeiros dias após a interrupção das vendas.

Outras entidades começaram a ser contatadas para o recebimento dos alimentos “comprados” por doadores. Ontem, a arrecadação, denominada como vaquinha virtual, tinha em caixa R$ 1,7 mil. “Foi uma ideia para diminuir o desperdício, tentar manter postos de emprego, e chamar a atenção para o isolamento e a falta de políticas públicas para a agricultura. Até agora, falta ajuda governamental para o campo”, resume Simone.

As incertezas sobre o futuro atingem a categoria. “Todos estão desolados, desmotivados, e essa foi uma forma de não perder as esperanças”, resumiu.

Interessados podem fazer as doações no endereço https:www.vakinha.com.br/vaquinha/agricultores-de-quatinga-pode-plantar-compramos-e-doamos. Informações:

9-9758-1923.


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