EDITORIAL

Água e esgoto

Realizado pelo Instituto Trata Brasil, o detalhamento da pesquisa sobre o tratamento de água e esgoto em 254 cidades brasileiras instala Mogi das Cruzes em 26º lugar no ranking do saneamento, à frente de grandes cidades e capitais, como Belo Horizonte e até Porto Alegre. Mogi também se destaca entre as poucas cidades brasileiras que possuem autarquias próprias para responder pelo abastecimento municipal e que tiveram uma performance diferenciada.

Em 2018, a cidade ocupou o 32º da listagem, Avançou, embora, claro, ainda tenha um bom caminho a percorrer para universabilizar o acesso às ligações de água e esgoto. Porém, a cidade se matém em um lugar privilegiado, entre a maioria absoluta dos municípios brasileiros, incluindo os da Região. É um fato a se reconhecer.

A média nacional de coleta de esgoto é de 52,36%, a municipal é de 86,6%. Já o índice brasileiro de tratamento de esgoto é de 44,9% – o nosso está perto de alcançar os 61%. Os dados são baseados em registros divulgados pelos municípios e confirmam a percepção que se tem quando se olha para o passado recente quando boa parte da região periférica de Braz Cubas e Jundiapeba mal tinha rede de esgoto em seus núcleos centrais e mais antigos.

Estão em detalhes da pesquisa constatações duramente cobradas do poder público municipal -= os gargalos do saneamento penalizam bairros onde vive a população de menor renda – e, portanto, com menos acesso aos serviços de saúde e aos medicamentos.

Nas próximas edições desse mapa, a situação de Mogi poderá ser ainda mais diferenciada com a execução de projetos em andamento. Porém, essa perspectiva exigirá rígida fiscalização do poder público e da sociedade organizada sobre a expansão urbana.

Ainda falta interligar à rede de esgotos, as casas onde residem cerca de 58 mil pessoas. E ao mesmo tempo que essa deficiência precisa ser zerada, a cidade não pode, em hipótese alguma, baixar a guarda com um outro fenômeno em curso para que não se repita o que aconteceu – e tem um alto preço social e financeiro – em alguns distritos. A ocupação do Botujuru é exemplo da rapidez com que o espaço urbano muda. Ali, as casas ainda possuem fossas sépticas.

Mogi tem uma boa oferta de imóveis a serem ocupados, e de maneira rápida, por conta de qualidades destacadas em pesquisas como essa, do saneamento.

O entorno da Avenida das Orquídeas, aberta há menos de um mês, é um ponto onde o adensamento urbano não pode nascer sem o esgotamento sanitário porque está na bacia dos rios Jundiaí e Tietê. As contas deixadas pela falta de planejamento são pesadíssimas – o Semae estima necessitar de R$ 1,4 bilhão, e mais três décadas para cumprir o plano municipal de saneamento urbano.

O Diário

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