LUCAS FERRERA

Ajudar a salvar vidas é sua missão

Lucas Ferrera (Foto: Eisner Soares)
Lucas Ferrera (Foto: Eisner Soares)

O paramédico e neurocientista mogiano Lucas Ferrera teve oportunidade de atuar na organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) no Brasil e exterior e aos 33 anos, ele está pronto para novas missões. Paralelamente, ajuda as pessoas também a entender os mistérios do comportamento humano

Desprendido de rotinas e livre de compromissos. É assim que o paramédico Lucas Ferrera escolheu viver, desde que se alistou para a organização de ajuda humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF). O mogiano, que é graduado em Neurociência, já realizou atendimentos emergenciais nos estados do Rio de Janeiro e Roraima, e também no exterior, na Venezuela e Colômbia, lugares onde presenciou situações chocantes. Mesmo assim não tem intenção de deixar o programa, afinal, salvar vidas é o seu lema.

Embora assine com o sobrenome Ferrera, na verdade Lucas é Assis de Almeida, mas já solicitou a inclusão na Justiça o Ferrera que vem do avô paterno, José, em quem ele se espelha desde a infância, período em que sonhava em ter muitas profissões, como desenhista e músico.

Lucas começou a trabalhar aos 14 anos, e chegou a fazer um curso técnico em Edificações pela Etec Presidente Vargas, na Cidade. Mas, ao concluir o ensino médio, o rapaz, que era franzino, decidiu entrar na academia, para cuidar do próprio corpo. Depois de algum tempo malhando, encantou-se por artes marciais. Praticou, num primeiro momento, boxe, depois muay thai e krav magá, modalidade que realiza ainda hoje.

Foi a partir da luta que ele começou a se interessar pelo comportamento humano. Durante os treinos, percebeu que as pessoas mudavam sua rotina e disciplina depois de começar atividades físicas. Então, curioso, passou a buscar o porquê disso.

Ao pesquisar e descobrir que as tais mudanças eram orquestradas pelo cérebro, começou, então, a buscar opções de curso superior para estudar o assunto. Foi assim que se encantou pela neurociência, campo de estudo específico do sistema nervoso. Ele se formou neurocientista em 2016 pela Universidade Federal do ABC (UFABC).

Foi no início do curso, em 2013, que Lucas se tornou pai. Para homenagear o filho Theo, fez a primeira tatuagem no peito. Hoje são tantos os desenhos pelo corpo que o mogiano perdeu a conta.

Por ter o torso, os braços e o pescoço cobertos de tatuagens, ele teve dificuldade para entrar no mercado de trabalho. Sofreu preconceito, conforme relata. Mas, sem se deixar abalar, ele foi em busca de experiência prática por conta própria. Nas redes sociais, começou a oferecer consultas em domicílio, e aos poucos, os pacientes começaram a aparecer. Passou a atender pessoas com doenças como o Transtorno Obsessivo Compulsivo (Toc) e a oferecer ainda consultorias gratuitas via internet.

O mogiano também se tornou palestrante. Em faculdades e empresas, ele dá instruções de como melhorar o comportamento pessoal. Mas, em busca de mais experiência, se alistou no MSF, no início de 2017.

Para atuar nas missões voluntárias da organização, Lucas fez alguns cursos, e se tornou paramédico, preparado para realizar atendimentos pré-hospitalares emergenciais. A primeira viagem com a MSF foi para o Rio de Janeiro, onde levou água e comida e prestou primeiros socorros. Depois, foi para Roraima, e neste ano, atuou na Venezuela e na Colômbia, onde conta ter visto situações críticas, de extrema miséria e ausência de cuidados médicos.

Diferentemente do mercado de trabalho convencional, na atuação voluntária ele não sofreu preconceito. Pelo contrário, foi aceito, e se encontrou na missão de salvar vidas, mesmo que para isso tenha que manter a vida de solteiro, sem muitas rotinas profissionais. Para o neurocientista, o maior desafio das viagens é atender a todos, e o melhor é ver a felicidade no rosto de quem é atendido.

Ele se identificou tanto com a ideologia do programa que hoje, aos 33 anos, está pronto para missões em mais países e está estudando a língua francesa. E presta atendimentos até no tempo livre, como para moradores de rua da Cidade, o que começou a fazer recentemente. Outro projeto de Lucas Ferrera é construir uma clínica de diagnóstico neural em Mogi das Cruzes. (Heitor Herruso – Especial para O Diário).

CURTO CIRCUITO

Viver em Mogi é…

viver tranqüilo

O melhor da Cidade é…

a tranquilidade e as áreas verdes

E o pior?

A falta de suporte básico de vida às famílias mais afastadas do Centro.

Sinto saudade de…

quando todos ajudavam uns aos outros

Encontro paz de espírito…

depois de terminar meu trabalho humanitário

Pra ver e ser visto…

amor ao próximo

Meu prato preferido é…

arroz, feijão e purê de batata

Livro de cabeceira…

‘Sniper Americano’, de Chris Kyle

Peça campeã de uso do meu guarda-roupa?

Sou monocromático e básico, só uso preto e branco, sem estampas.

O que não tem preço?

O amor.

Uma boa pedida é…

jogar Uno com os amigos

É proibido…

mimimi (reclamar demais)

A melhor festa é…

ao lado dos verdadeiros irmãos

Convite irrecusável…

solicitação de ajuda

O que tem 1001 utilidades?

A internet.

Meu sonho de consumo é…

ter uma clínica de diagnostico neural

Qual foi o melhor espetáculo da minha vida?

Entrar no Médicos Sem Fronteiras e mudar minha personalidade, me tornar humano de verdade.

Cartão-postal da Cidade…

Pico do Urubu.

O que falta na Cidade?

Profissionais capacitados, de maneira geral. Vejo muita gente trabalhando, mas sem mérito.

Qual é a química da vida?

Analisar, tentar, e não desanimar ao fracasso. Para todo fim, sempre haverá um recomeço

Deus me livre de…

ter que viver com gente destrutiva. Faça seu círculo de amizades, seja seletivo