Alunos discutem ocupação da Etec

Grupo de 100 estudantes da Etec Presidente Vargas e de escolas públicas e particulares foi às ruas / Foto: Jonny Ueda
Grupo de 100 estudantes da Etec Presidente Vargas e de escolas públicas e particulares foi às ruas / Foto: Jonny Ueda

Com gritos de “não tem arrego, você tira a minha merenda e eu tiro o seu sossego” e “acabou a paz, mexeu com os estudantes, mexeu com satanás”, pelo menos 100 estudantes da Escola Técnica Estadual (Etec) Presidente Vargas e de alguns colégios estaduais e particulares, fizeram passeata por Mogi das Cruzes no começo da tarde de ontem. Eles reivindicam o restabelecimento na oferta de merenda a todos os períodos de aula na unidade, que conta com mais de 2,3 mil alunos, além da normalização do serviço de manutenção do prédio, que está sem pontos de luz na área externa, um risco na visão de alunos da noite. Até amanhã, por meio de assembleias, os manifestantes devem decidir se vão ou não ocupar de forma definitiva o espaço de ensino.

O movimento em Mogi é uma extensão do que está acontecendo em diferentes escolas técnicas da Grande São Paulo, ocupadas por estudantes que pediam a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) por parte da Assembleia Legislativa (Alesp) para investigar o escândalo nos desvios de merenda. O presidente da Alesp, deputado Fernando Capez (PSDB), é citado como um dos responsáveis pelo esquema. Ele nega. Fato é que os deputados aprovaram a criação do grupo que deve apurar os casos.

O encontro teve concentração em frente a uma das entradas da Etec, na Rua Senador Dantas, por volta do meio-dia. Segundo a Polícia Militar, 100 pessoas participaram do evento. Os organizadores falam em mais de 120.

Os jovens optaram por criar uma mobilização “horizontal”, explica um deles. “O movimento foi criado pelos estudantes para os estudantes. O nosso objetivo é protestar pela falta da merenda. É preciso manter e melhorar. Ontem (anteontem), várias Etecs pelo Estado foram paralisadas. Aqui, a gente decidiu comer na área destinada à direção da unidade. É um movimento horizontal, sem liderança, com participação de todos. A assembleia foi dividida em duas. A primeira parte abordou sobre a importância da merenda e o impacto da falta dela. Na segunda, nós estabelecemos propostas e discutimos as próximas etapas deste manifesto. Até o final desta semana, nós faremos mais assembleias até que constatemos que a maioria apoia a ocupação”, comentou Gustavo Nascimento, 17 anos, aluno do terceiro ano do Ensino Médio e do terceiro semestre do curso de Edificações.

Andrew Barbosa Cruz, 16, aluno do segundo ano do Ensino Médio, diz que a merenda não é o único problema pelos lados da Presidente Vargas. “A merenda é uma parte de todo o problema. A gente convive com falhas na higiene constantemente. Os pombos invadiram a escola. A direção e a Associação de Pais e Mestres alegaram que não tinham dinheiro para as marmitas, mas colocaram grades, a um custo elevado, que não cumprem as normas básicas de segurança. É só para aparecer, mas segurança de verdade não traz. É gastar o recurso público de forma desmedida”, afirmou. (Lucas Meloni)

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