PRESERVAÇÃO AMBIENTAL

MP avalia construção de mirante no Pico do Urubu

CENÁRIO Projeto prevê mirante, deck e estacionamento no Pico do Urubu, na Serra do Itapeti. (Fot: arquivo)

Mirante, amplo estacionamento, centro de apoio ao turista e deck. Essas são as propostas da Prefeitura de Mogi das Cruzes para o Pico do Urubu, na Serra do Itapeti. A licitação para definir a empresa que executará a obra, inclusive, já está aberta. A ideia, entretanto, tem sido questionada e o ambientalista José Arraes protocolou no Ministério Público um pedido para que as intervenções sejam autorizadas somente depois da obtenção das licenças ambientais.

O MP informou que a solicitação foi protocolada no último dia 13 e distribuída ao promotor Leandro Lipi Guimarães. Por ser muito recente, o documento ainda não se tornou inquérito e continua como representação. A Administração Municipal disse que não foi notificada, mas que a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) já emitiu licença para a obra.

“Fiz esse pedido porque ali, se você vai fazer um local para quem gosta de voo livre, certamente vão chegar lá muitas pessoas com equipamentos pesados que aumentarão também o fluxo de veículos grandes. A possibilidade de ter essa grande quantidade de gente e uma obra ali pode trazer muita degradação para uma Área de Preservação Ambiental. Precisa de licenciamento que defina a quantidade de visitantes que pode frequentar o local, além de monitoramento e outras precauções”, disse Arraes, presidente do Instituto Cultural e Ambiental Alto Tietê (Icati).

Sobre a licença concedida pela Cetesb, o ambientalista afirma que no próprio documento foi dito que ele é insuficiente para execução do projeto, onde não são citados os cuidados com as vias de acesso, com o possível ponto de exploração comercial, com banheiros químicos em total confronto com preservação adequada da natureza, entre outros pontos. Arraes comenta ainda que, infelizmente, as pessoas muitas vezes não têm o costume de dispensar o lixo de maneira correta, o que pode gerar uma grande quantidade de detritos.

“A gente sabe que a Serra do Itapeti é o pulmão da cidade. O clima em Mogi é totalmente diferente de Guararema e Suzano e isso acontece justamente por causa da existência da Serra. Se começa a fazer certas permissões de uso e ocupação vai ter um dia que lá em cima haverá uma favela. Não falo isso a curto prazo, mas falo pensando no futuro das próximas gerações que estão por vir. Temos que trabalhar agora para que no futuro isso não venha a acontecer. Esse foi o principal motivo para que eu protocolasse o pedido”, finalizou o ambientalista.