EDITORIAL

Ameaças ao Pico do Urubu

Com boas avaliações em guias nacionais de turismo e de aventura, o Pico do Urubu é um dos pontos mais visitados de Mogi das Cruzes. A beleza do lugar e a facilidade de acesso para carros, ciclistas e amantes da caminhada e corrida alimentam as impressões positivas do roteiro. Vale a pena conhecer o lugar.

A visita agrada pela vista panorâmica de um dos pontos mais altos da Serra do Itapeti, um patrimônio ambiental que precisa ser apreciado.

Utilizado para voos panorâmicos, o lugar costuma ser ocupado por um turista de perfil vocacionado para a preservação – mas há exceções. E aqui começam os desafios para se preservar o Pico do Urubu daquilo que o ameaça: a destruição da fauna e da flora desse mirante de observação e práticas esportivas.

Não há, ao que se observa, uma fiscalização mínima para evitar, por exemplo, os acampamentos que passaram a fazer parte da rotina nos finais de semana. O Pico do Urubu não é um lugar dotado de infraestrutura para camping.

O uso por pessoas descompromissadas com a preservação ambiental provoca graves danos. O maior deles é o descarte irregular de lixo encontrado nas estradas do Pico do Urubu e Parque Municipal.

Algumas melhorias têm sido conquistadas como a manutenção do acesso íngreme com trechos de paralelepípedos e terra por força da vozes que buscam proteger o Pico do Urubu como os adeptos dos voos de parapente e asa delta. Porém, a prática ainda está marcada por uma ocupação inadequada de quem não consegue desfrutar desse privilégio sem deixar marcas pesadas. Sobretudo o lixo deixado pelo caminho (embalagens e garrafas plásticas, bitucas de cigarro, além dos detritos de construção).

O Pico do Urubu é um um santuário ecológico de facílimo acesso, o que amplia a responsabilidade do poder público e da sociedade mogiana de bem conservá-lo.

A atual realidade nascida com a popularização desse roteiro requer uma outra urgente intervenção do governo municipal: o monitoramento do uso das trilhas desenhadas a partir do Pico do Urubu.

Noutros tempos, o Ministério Público se fez muito presente no acompanhamento das atividades esportivas ali desenvolvidas – visando a segurança dos usuários, após acidentes fatais. Além de cuidar das pessoas, ali, plantas e animais nativos também são elementos a serem cuidados.

E isso não acontecerá sem métrica e fiscalização. Quantas pessoas podem usar o espaço, sem degradar o que a natureza levou anos para construir? Há notícias sobre festas noturnas no local. Algo que definitivamente não comporta o espaço.

Não se trata de jogar contra um acerto no programa de turismo de Mogi. Mas cobrar o que será feito para manter o equilíbrio na relação entre os visitantes e a natureza desse belíssimo cartão postal regional.