Aniversário sem Tote

Pela primeira vez, nos últimos 58 anos, celebramos hoje a data de fundação deste Diário de Mogi sem a presença de seu idealizador e comandante. Tirreno Da San Biagio, o Tote, fez do jornal, como ele próprio dizia, a “voz da Cidade”.Nos tem sido difícil, todas as manhãs, dar início ao ciclo produtivo de cada uma de nossas ediçöes. Desde a elaboração da pauta, a passar pelo tema que será abordado neste editorial e à espera do “tudo bem?” de despedida no final da tarde, a presença de Tote segue sendo uma constante em nosso dia a dia.
Quando, ao lado da inseparável aliada Neid, fundou este Diário de Mogi em 13 de dezembro de 1957, muito mais do que um empreendimento comercial, Tote tinha um ideal. O jornal nasceu fruto desse ideal e dele seu publisher não se afastou um dia sequer até 14 de outubro, quando morreu, aos 83 anos, no Hospital Albert Einstein.
A nós, discípulos e herdeiros do ideal, resta-nos a certeza de que, em nosso dia-a-dia, seguiremos honrando os ensinamentos recebidos.
Os mais antigos dentre os que aqui seguem lembram-se claramente de posturas do publisher que incentivava a investigação jornalística no estamento policial, mas jamais permitia que seu jornal fosse daqueles dos quais costumava-se dizer que ´espremendo sai sangue´.
Da mesma forma nos embates políticos. Das várias vezes em que se viu na contingência de abrir mão de interesses financeiros em favor dos interesses da Cidade, Tote jamais permitiu que o jornal fosse ferramenta de ataques pessoais, sobretudo daqueles que envolvessem relações familiares. São épicas suas decisões editoriais nesse sentido. Como uma, há 40 anos, quando o prefeito de então foi a uma emissora de rádio local e, por quase uma hora, lançou críticas ao jornal, ameaçando denunciá-lo aos orgãos de segurança do regime militar vigente então. Na primeira página do dia seguinte, uma charge mostrava a única reação possível. Nela, o político aparecia com um longo dedo indicador engessado.
A Tote sempre entusiasmaram as ´bandeiras´ de defesa da comunidade. Foram de sua iniciativa a proposta de implantação dos calçadões nas ruas Deodato Wertheimer e Paulo Frontin, de abertura da Avenida Narcio Yague Guimarães onde era a Estrada do Socorro; também de assumir desbravadamente o projeto de duplicação da ligação Mogi-Dutra. Sem esquecer e heróica luta contra o temerável lixão que se pretendia para o Bairro do Taboão, último manancial de desenvolvimento industrial de Mogi das Cruzes.
Como bem compreendem nossos leitores, é árdua a missão que nosso comandante nos transferiu. Mas temos a consciência plena de que seu legado de ensinamentos nos dá força – e humildade – para seguir em frente.


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