EDITORIAL

Anjos de guarda

Há um forte caráter de humanidade e superação na experiência vivida pelo casal Teresa e José Correa, ambos com 87 anos e recuperados da Covid-19. Na edição de ontem, este jornal teve a oportunidade de compartilhar como pacientes e familiares são afetados pela humanização da medicina e do tratamento durante a pior crise de saúde pública em 100 anos.

Os registros de agradecimentos às equipes de profissionais de saúde têm sido replicados também por pessoas que ao contrário dos filhos e netos de Teresa e José, sequer puderam se despedir dos pacientes infectados.

Cem dias após os registros dos primeiros casos no Brasil, a formatação de um tratamento mais seguro – embora ainda não definitivo, começa a dar mais resultados no combate ao Sars-CoV-2, o novo coronavírus.

Na atualidade, os números de recuperados são maiores do que os de infectados. É preciso manter a cautela, para esse cenário se estabilizar.

A maneira como os hospitais e equipes tratam os doentes se traduz em saúde e sucesso do tratamento de doenças, inclusive outras mais letais do que a Covid-19.

Guerreiros, Teresa e José contaram com os filhos, amigos e os profissionais de saúde. Casados há 68 anos, foi ela quem pediu à equipe se poderia ficar no mesmo quarto do marido. Foi atendida. Uma exceção honrosa a um casal a caminho dos 90 anos, que agora já voltou para a casa trazendo na bagagem, a gratidão aos profissionais do Hospital Municipal de Braz Cubas.

São dificílimas as condições de trabalho e as pressões impostas a quem está carregando a responsabilidade de tratar a Covid.

Médicos, enfermeiros, cozinheiros, vigilantes e outros responsáveis pelos serviços públicos e privados de saúde vivem com os pés em dois mundos. Dentro do hospitais enfrentam o ambiente de apreensão e medo, que ainda registra alta taxa de letalidade entre os internados. Quando deixam o trabalho, convivem com os erros e acertos da crise sanitária, social e econômica que está revirando, como um ciclone, a vida das pessoas e países.

Esses “anjos de guarda” têm o nosso reconhecimento e agradecimento. São pessoas anônimas, na maior parte do tempo, que estão respondendo como podem ao dever de salvar vidas, e ainda enfrentar a incompreensão de uma parte da população (equipes são insultadas e ameaçadas, com frequência), o desconhecimento de uma nova doença, os conflitos na condução da crise sanitária e lidar com outros tipos de precariedade de insumos e de recursos hospitalares.


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