EDITORIAL

Anjos de Guarda

Serão colocados à prova a partir de agora, quando o tempo começa a passar e os dramas pessoais perdem holofotes, as ações anunciadas por autoridades ligadas à educação e à segurança pública após o mais grave crime praticado contrea estudantes e professores no Estado de São Paulo, ocorrido há um mês, na Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano.

O tempo costuma assentar marcas graves no tecido social como o provocado pelo massacre planejado e executado por dois ex-alunos que voltaram à escola onde estudaram para matar a esmo quem encontravam pela frente.

Fora dos gráficos criminais brasileiros, esse crime saiu da rotina da violência urbana porque expôs a vulnerabilidade de um recinto institucional único, a escola, um bem social particularmente afetado por um sistemático desmonte da educação, caracterizado pela redução dos investimentos nos recursos humanos e materiais.

As escolas públicas, sobretudo as estaduais, perderam estatura, viço e o interesse no decorrer das décadas. De tal forma que uma boa parte das famílias que conseguem alguma ascensão social migra para a rede particular, a partir do Ensino Médio.

A diferença entre a rede municipal e a estadual costuma ser tanta que nascem, nesse momento de mudança, os índices mais elevadas da evasão escolar.

Tudo o que começa a ser planejado a partir do que ocorreu na escola Raul Brasil precisa servir de referencial para o futuro. A instalação de sistemas de seguranças como o portão eletrônico, anunciado pelo secretário de Estado, Rossieli Soares, é um item importante. Suzano mostrou quanto professores e alunos da maioria das escolas estão expostos a desocupados e criminosos.

Outro projeto interessante foi anunciado pela Secretaria de Educação de Mogi, o Anjos de Guarda, que pretende atender alunos que vão deixar a rede municipal para ingressar na estadual. O programa pretende tratar temas como específicos como o bulliyng e a violência para que o adolescente saiba como proceder se for vítima de uma dessas situações.

É vital cumprir as medidas anunciadas para toda a rede como a abertura dos canais de comunicação com a Polícia Militar e a Guarda Municipal (que já deviam ser muito bem ajustados com as direções das escolas desde a tragédia da escola do Realengo, no Rio).

A escola de Suzano foi vítima de assassinos frios, que planejaram seus ataques, contaram com o apoio/incentivo de outros marginais.

Esse caso pede mais das politicas de segurança pública praticadas até agora porque o sucesso das estratégias de prevenção se dá quando a organização policial consegue agir antes dos criminosos. Pede mais da sociedade. Todos os pais, professores, amigos e conhecidos precisam estar mais atentos a comportamentos que possam caminhar para tragédias. São tempos de atenção. Para o bem de todos.