Apae de Mogi necessita de médicos para continuar tratamento de pacientes

Marina de Carlo, com o filho Henrique Minoru, fala da necessidade de médicos / Foto: Edson Martins
Marina de Carlo, com o filho Henrique Minoru, fala da necessidade de médicos / Foto: Edson Martins

Aos 3 meses, o mogiano Rafael Diego Firmino iniciou tratamento na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Mogi das Cruzes. Cadeirante devido à amiotrofia tipo 2 – doença degenerativa do sistema nervoso central – e hoje aos 27 anos, ele permanece na entidade, mas desde o mês passado, sem o atendimento de clínica geral que sempre contou. Situação idêntica é enfrentada por Henrique Minoru, 9, que desde os 4 faz parte do quadro de pacientes, assim como centenas de outras crianças, jovens e adultos. Sem recursos para manter a médica, a diretoria precisou dispensá-la, já que as despesas das áreas de Saúde e Assistência Social representam um rombo de R$ 66 mil por mês no fundo de reserva da instituição. Na tentativa de retomar o serviço, essencial aos cerca de 700 alunos especiais que atende, a Apae busca médicos que possam atuar como voluntários.

O maior problema, segundo as mães dos pacientes, é conseguir este atendimento nas redes pública e particular de saúde, já que como são alunos da Apae, a indicação é sempre que sejam acompanhados por médicos da entidade. “No sábado de Carnaval, o Rafael passou mal e fomos ao Hospital Dr. Arnaldo (Pezzuti Cavalcanti), onde o médico disse que era para levá-lo à Apae. Expliquei que era sábado, mas não adiantou. No domingo, fomos ao posto de saúde e novamente o médico disse que não podia fazer nada. Na segunda-feira, falei com a médica da Apae, que pediu raio-x. Fizemos o exame e voltamos com o resultado. Ele estava com pneumonia e se afogou com a saliva, que foi para o pulmão. Ela deu os remédios e em 2 horas ele já estava melhor. No dia seguinte, era feriado e ela ligou para saber dele. Ficar sem este atendimento é uma grande perda. Será difícil até para conseguir o exame médico e o laudo exigidos a cada três meses para a hidroterapia. Os postos de saúde não vão fazer isso e nem mesmo os médicos de convênios e particulares”, explica a dona de casa Rosana Ferreira Firmino, 53, que mora no Caputera e tem mais uma filha, de 30 anos.

Ela também enfatiza que a retomada do serviço é essencial, principalmente se os pacientes apresentarem convulsão ou outra crise durante as atividades na entidade. “Muitas vezes, esta médica deixava tudo para atender situações assim nas salas de aula. Ela sempre fazia os primeiros socorros até a chegada da ambulância do Samu, que geralmente demora. Agora ficou complicado”, alerta.

Também mogiano e cadeirante, Henrique, que tem paralisia cerebral, sempre recorria à clínica geral a fim de conseguir as liberações para aulas de educação física e na piscina da Apae. “Quero ver como vou fazer, porque os médicos dos postos, convênios e até particulares não dão este atestado e nem colocam as mãos nele quando falo que é uma criança especial. Logo dizem que preciso levá-lo direto à Apae. Há casos de mães que já falaram no posto de saúde que não temos mais clínico geral na Apae, mas não adianta. Além disso, como a médica estava sempre por perto, esclarecia dúvidas e ajudava em tudo. Por isso este serviço é tão essencial e precisa ser retomado o quanto antes”, destaca a dona de casa Marina Costa de Carlo, 39, moradora de Taiaçupeba e mãe de Henrique e de mais duas jovens – 12 e 18 anos.

Ela também enfatiza a importância dos médicos da Cidade colaborarem como voluntários. “A Apae não tem dinheiro para continuar arcando com este custo, então, se mais profissionais pudessem ajudar, com certeza o atendimento poderia ser retomado e até ampliado, porque mesmo com a médica lá, era preciso fazer atendimento porque são muitos alunos para dar conta”, explica Marina, acrescentando que o marido é aposentado e a família não tem plano de saúde, por isso o filho sempre foi tratado por médicos da entidade. (Carla Olivo)

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