SOCIAL

Apafi conscientiza sobre fissuras palatais

DUPLA Eugênia e Rodrigo Claudino, mãe e filho que atuam na Apafi. (Foto: Eisner Soares)

Dois fotografias, uma com as mãos no rosto, e a outra, com um largo sorriso, foram tiradas pelos jovens e crianças portadores de fissuras labiopalatais de Mogi das Cruzes com o objetivo de sensibilizar as pessoas hoje, Dia Nacional de Conscientização sobre a Fissura Labiopalatina. Neste ano, três bebês nasceram na cidade com a má-formação que não é considerada uma doença, como sublinha Maria Eugênia Alckmin Claudino, mãe de Rodrigo, de 37 anos.

Rodrigo posou para as duas imagens que serão replicadas em redes sociais. “Nós defendemos o sorriso como uma maneira de trabalhar a estima dos jovens e conscientizar sobre as dificuldades enfrentadas por causa do preconceito”, diz Eugênia, que coordena a Associação de Pais e Amigos dos Portadores das Fissuras Labiopalatais de Mogi das Cruzes, a Apafi, com sede na Vila Industrial.

Durante a pandemia, a rotina de atendimento foi interrompida em março, quando já se sabia que três bebês nasceriam na cidade com essa má-formação, identificada durante o pré-natal. Um deles estava para nascer entre ontem e hoje. Com a obrigatoriedade do cumprimento da quarentena, os principais impactos sentidos pelo grupo formado por cerca de 120 pessoas foram a postergação do agendamento de cirurgias e a restrição das atividades na sede da Apafi.

No local, é oferecida assistência social, psicológica e fonoaudióloga. Apenas em meados deste mês, com autorização da Prefeitura, a entidade retomou os atendimentos individuais porque muitos dos assistidos passaram a apresentar quadros de depressão.

Houve, como em outras entidades assistenciais, um hiato na rotina deste projeto social. “Nós retomamos o atendimento por necessidade, e com todos os cuidados”, resume Eugênia.

Outros encaminhamentos, como a Carona Solidária, que transporta pacientes em tratamento pós-cirurgia no Hospital de Bauru, foram mantidos.

Mas, o agendamento de novas cirurgias dos bebês, por exemplo, sofreram atrasos.

As cirurgias nos lábios de recém-nascidos com as fissuras são recomendadas a partir do terceiro mês. Muitas vezes, esses procedimentos precisam ser repetidos durante a infância e a adolescência dos jovens, dependendo da complexidade dos casos.

No Dia Nacional de Conscientização sobre a Fissura Labiopalatina, a dirigente da Apafi destaca a importância do fim do preconceito. “São crianças e jovens como todas as demais. A fissura labiopalatina não é uma doença”, reforça ela.

A entidade estima que, por ano, 12 crianças são portadoras de formações conhecidas como labioleporino ou fenda palatal ou palatina. A divulgação sobre o problema para orientar e incentivar a busca de tratamento e cirurgia é um dos objetivos da campanha nacional.

Essas fissuras podem ser unilaterais ou bilaterais e variam com a cicatriz labial ou úvula bífida (“campainha” dividida), ou ainda as fissuras completas de lábio e palato. Esse quadro pode ser ocasionado durante o fechamento dessas estruturas entre a quarta e a décima segunda semana de gestação.

Em cada 650 bebês nascidos no País, um nasce com fissura.

A Apafi atua em Mogi das Cruzes há 27 anos. Atende pessoas com fissura lábio palatais e anomalias crânio encefálicas em acompanhamentos psicológico, social e fonoaudiólogo.

Para isso, conta com subsídios públicos e parceiros como o Instituto Julio Simões e Associação de Voluntários da Santa Casa Mogi, que costumam doar alimentos, enxovais e outros itens à obra social. O endereço é Avenida Firmino Ladeira, 339, Vila Industrial. Telefone: 4790-1616.


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