Após pressão, julgamento de Dilma será antecipado

Depois de pressão do Palácio do Planalto, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), cedeu e afirmou ontem que o julgamento final do processo de impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff, deve começar em 25 ou 26 de agosto, em condições de terminar ainda neste mês.

A declaração é um recuo em relação a um calendário divulgado no fim de semana pela equipe do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Ricardo Lewandowski, que previa o início do julgamento no dia 29 de agosto, o que poderia determinar seu encerramento apenas no dia 2 de setembro.

A possibilidade de a decisão sobre o futuro de Dilma ser tomada apenas no próximo mês gerou irritação no Palácio do Planalto. O presidente interino, Michel Temer, contava com a votação ainda em agosto para viajar para a reunião do G-20 (conjunto das maiores economias do mundo), na China, em 4 e 5 de setembro, já como efetivo.

Além disto, o governo avalia que um atraso do julgamento fragiliza Temer e o coloca mais no alvo de pressões.

Um exemplo citado por assessores é o projeto de renegociação da dívida dos Estados, que vem sofrendo modificações em relação à proposta original.

Para buscar um acordo com Renan, o presidente interino o convidou para um almoço no Palácio do Planalto, do qual participaram também o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), e o senador Romero Jucá (PMDB-RR).

Oficialmente o Planalto e Renan negam pressão. O presidente do Senado disse que as datas divulgadas pela equipe de Lewandowski não eram definitivas. “Com certeza nós temos como concluir isso antes do final do mês. Vamos trabalhar para que isso efetivamente aconteça, porque a lei manda que levemos em consideração esses prazos”, disse Renan.

Nos bastidores, integrantes do governo almejam concluir o impeachment antes da votação do processo de cassação de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na Câmara, que ainda não tem data marcada. A avaliação é a de que se for cassado, o que é a tendência, Cunha pode iniciar retaliações contra o governo.

Advogado de defesa de Dilma, o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo condenou a articulação feita por Temer.

Ontem, o relator do processo do impeachment, Antonio Anastasia (PSDB-MG), apresentou na comissão especial relatório com 441 páginas favorável à saída definitiva da presidente afastada.

No parecer, o tucano afirma que há provas de que houve crime de responsabilidade nos dois casos em que ela é acusada: a abertura de créditos suplementares sem autorização e as pedaladas fiscais.


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