MOBILIDADE

Após promessas, moradores ainda sofrem com a falta de manutenção da Estrada da Volta Fria

DIFícil Maior parte das famílias anda a pé em meio à lama ou pó e convive com a ponte perigosa. (Foto: Natan Lira)
DIFícil Maior parte das famílias anda a pé em meio à lama ou pó e convive com a ponte perigosa. (Foto: Natan Lira)

Enquanto a antiga promessa (renovada nos últimos tempos) de pavimentar a Estrada da Volta Fria, em Mogi das Cruzes, não é cumprida, quem vive às margens da via continua sofrendo com a falta de manutenção, que se estende também à ponte que liga o bairro ao distrito de Jundiapeba, sobretudo neste período chuvoso. Quem mora no local diz que a situação é discutida sempre nos anos eleitorais, quando políticos vão até lá e garantem as melhorias. Mas, na realidade, o trânsito de veículos pesados ainda está bloqueado na chegada a Jundiapeba, que é o local de referência do bairro – cerca de dois quilômetros do trecho mais povoado. A interdição obriga muita gente a colocar o pé na lama, ou então desembolsar R$ 18 para ir e voltar do distrito, em quatro passagens de ônibus.

Vera Lucia da Silva Ferreira preside a Associação dos Moradores da Volta Fria e Adjacências. O movimento por melhorias na estrada e ponte nasceu em 2009, mas foi em 2011 que a obra chegou a ser anunciada. Técnicos foram até o local, fizeram medições, o projeto foi anunciado, mas nada foi feito. Agora, de novo ela vê o mesmo filme em frente ao comércio que mantém no bairro. Afora,ela diz que só acredita nas promessas, quando ver a obra entregue.

“Falta atenção com a gente aqui. Nós estamos em um lugar que as pessoas não têm finanças (dinheiro). Todo mundo aqui é muito simples, mas merece viver com dignidade. No sol ou na chuva, tem pai de família que precisa andar mais de dois quilômetros na lama ou no pó para poder trabalhar, porque não tem dinheiro para pegar dois ônibus para chegar em Jundiapeba. Um bom governo é aquele que vê uma ponte caindo e reconstrói, não interdita”, conta.

Na manhã de ontem, a reportagem percorreu toda a extensão da via e encontrou diversos buracos, mato alto nas margens, que obriga os moradores a andarem pela rua. Carros, caminhões e ônibus também transitam em zigue-zague.

O secretário de estado de Logística e Transportes, João Octaviano Machado Neto, visitou a via no começo do ano. O governo informou que os projetos tanto da ponte quanto da duplicação da estrada estão prontos. O Diário apurou que ao todo, as obras deverão custar R$ 21 milhões, divididos entre R$ 17 milhões para a rodovia e R$ 4 milhões na reconstrução da ponte, e serão custeadas pela pasta.

A melhoria nas condições de tráfego da estrada da Volta Fria impacta diretamente na mobilidade de Mogi das Cruzes, porque será uma ligação importante aos motoristas de caminhões que estão na cidade e precisam acessar o Rodoanel Mário Covas. Isso porque ela liga a Via Perimetral ao Corredor Leste-Oeste, no distrito de Jundiapeba, onde o motorista chega a Suzano com maior facilidade, do que pela rodovia SP-66.

A pavimentação da estrada da Volta Fria é uma demanda antiga de Mogi. A via possui 7,5 quilômetros. A precariedade da pista e os riscos da ponte sobre o Rio Tietê levou a Prefeitura de Mogi a proibir por ali a passagem de veículos pesados.

Em resposta sobre o processo o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) confirma que a Estrada da Volta Fria está entre as estradas que serão atendidas no programa Novas Vicinais. “Paralelamente ao Programa Novas Vicinais, o DER concluiu projeto básico para obras de demolição e construção de uma nova ponte na Estrada da Volta Fria. Atualmente, está em curso o processo licitatório para contratação do projeto hidrológico para obtenção de outorgas ambientais que possibilitarão as obras”, informa.


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