CÉSAR DE SOUZA

Após ter sofrido com queimadas e descarte irregular de lixo e óleo, Brejinho começa a se recuperar

BEM MELHOR Defensores do Brejinho notam maior conscientização com área da Apa do Rio Tietê. (Foto: Eisner Soares)

Após ter sofrido durante todo o ano de 2018, com queimadas, descarte irregular de lixo e o despejo de uma grande quantidade de óleo, a região conhecida como Brejinho, no distrito de César de Souza, termina 2019 em fase de remediação. O local é uma Área de Proteção Ambiental (APA) do rio Tietê e um dos principais biomas de Mogi das Cruzes. É nessa região que é encontrado o bicudinho-do-brejo-paulista, uma espécie rara, ameaçada de extinção e que só vive neste trecho de Mogi das Cruzes e em Guararema. Estima-se que existam apenas 200 aves do tipo na região.

O veterinário Jefferson Renan de Araújo Leite é um dos defensores dessa região. Ele também se mostra otimista em relação ao ano vivido pelo Brejinho, e afirma que a divulgação por meio de uma página criada por ele e a cobertura jornalística sobre a importância do local conscientizaram as pessoas. “A Prefeitura ainda retira um lixo ou outro descartado no Brejinho, mas só de olhar, já é possível ver que ele não sofreu com as queimadas, e esse período de chuva mais fortes, no começo do ano, ajudou a manter a área verde e a se recuperar de tudo o que sofreu no ano passado”, pontua.

Uma análise positiva da situação ambiental da área existente entre empresas de César de Souza é reforçada pela visita dos pássaros da espécie cablocinho. Ave migratória deixa o centro-oeste do país rumo em sul. No caminho, faz paradas no Brejinho, entre os meses de agosto, setembro e outubro. Este ano, segundo o veterinário, foram flagrados no local o caboclinho-papo-escuro, o caboclinho comum, o de chapéu-cinzento, barriga-preta e barriga-vermelha.

Em novembro de 2018, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) multou a empresa Café Solúvel, instalada no distrito de César de Souza, por despejar óleo de máquina em uma boca-de-lobo, que levou o material até um lago do Brejinho. A autuação foi de R$ 150 mil. O cheiro de óleo no local chegou a ficar insuportável, sobretudo nos dias mais quentes. Mantas para absorver o material contaminante foram instaladas no local.

Na última semana, a reportagem de O Diário esteve no Brejinho e não encontrou mais manchas de óleo na água. “Com certeza ainda há contaminação no local, porque o trabalho de remediação demora, mas diminuiu a quantidade do produto jogado ali”, ressalta Leite.


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