Ari Gato e Ary Gatô

Gê Moraes

Eles eram dois companheiros unha e carne, muito apegados um ao outro, amigos de fé, irmãos, camaradas iguaizinhos a Roberto e Erasmo. Um era da cidade de Hiro-shima, aquela que ressurgiu das cinzas, após haver sido destroçada pela abominável “Little Boy”, lançada pelo B-29 “Enola Gay”, bombardeiro americano, às oito horas e quinze minutos do dia seis de agosto de 1945. Outro nasceu no Crato, uma pequena cidade do Ceará. Pois bem, após este preâmbulo de escasso valor, vamos dar ouvidos ao que o japonês e o cratense estão a falar:

– Caro amigo, como você sabe, sou lá do Crato, uma cidade que faz parte da Microrregião do Cariri lá do meu Ceará. Em termos demográficos anda a beirar os duzentos mil habitantes. Além de ser cognominada de a “Princesa do Cariri”, também é conhecida como “Terra de Alencar”, ainda que o autor de Iracema lá não tenha nascido, mas por desejar ver o Brasil livre de Portugal, fez uso do púlpito da matriz da cidade para “proclamar” a independência do país, no dia três de maio de 1817.

– Interessante! Quanto ao rincão onde nasci é famoso pelo estigma de ter sido a primeira cidade do mundo a experimentar o gosto amargo de ser arrasada pelo ódio inaudito concentrado numa bomba, que resultou em 250.000 vitimas, entre mortos e feridos. Em que pese ter passado por tudo quanto passou, ela não foi aos arames, ou seja, não se enfureceu e nem foi à forra, pelo contrário, foi à luta e se reergueu, e em 1949 recebeu o epíteto de “Cidade da Paz” e os seus governantes trabalham, assiduamente, no sentido de mobilizar o mundo visando eliminar de vez as armas nucleares da face de Terra, até o ano de 2020.

– Que legal cara! Em termos de turismo as belezas naturais da Chapada do Araripe e a arquitetura do Centro Histórico, datada do século XVIII é o que há de melhor lá pelas bandas do lugar onde nasci.

– Na minha moderna e jovial Hiroshima há um prato chamado okonomiyaki – uma espécie de panqueca com diferentes tipos de recheios que o pessoal come até o bico do peito ficar proeminente. E há também o santuário de Itsukushima, um local revestido de muito charme e convidativo para agradáveis passeios.

– No que concerne à cultura, o Crato abriga o Museu Paleontológico mais antigo da cidade, onde se encontram fósseis dos tempos em que os dinossauros faziam a festa e mandavam e desmandavam aqui na Terra. Há também o Centro Cultural no Palacete da estação ferroviária.

Vamos deixar os dois entregues à sua conversa comprida, pois ambos ainda têm muito a compartilhar a respeito dos seus lugares de nascença. Será que você se deu conta de que em nenhum momento foram citados os nomes dos amigos? Pois citá-los agora vou: o de Crato é Ari Gato e o de Hirô é Ary Gatô.

Gê Moraes é cronista


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