EDITORIAL

Arte dos extremos

A cultura e os artistas estão lançando sementes significativas durante a travessia da pandemia. Em todo o mundo, a arte se posicionou como instrumento viral para mobilizar, instruir e conectar as pessoas, construir ponte entre o cidadão e as instituições científicas e governamentais, e também provocar a interpretação e a reflexão sobre esse instante único na história humana.

Aqui no nosso palco cultural colhemos frutos desse fenômeno. Alguns artistas se lançaram à luta e foram buscar meios de manter financeiramente com as apresentações transmitidas pela internet. E, nessa lida, conquistaram um pouco mais: tornaram-se mais conhecidos entre o público local.

Artistas mogianos também conseguiram minimizar a dor e o sofrimento, com shows particulares e solidários, feitos das sacadas de apartamentos.

Artistas replicaram o principal recado nos períodos mais críticos da pandemia, quando “ficar em casa”, a política de prevenção à Covid-19 defendida pela Organização Mundial de Saúde, era determinante para reduzir a curva de casos na cidade – um fato que surtiu efeito conforme começam a indicar as taxas de ocupação dos hospitais, divulgada no início desta semana.

Em meio a tudo isso, O Diário trouxe duas notícias: detalhou o projeto preparado para o distrito de César de Souza, e que dará aos moradores, uma Casa das Artes, com espaços destinados ao teatro, música, esportes e convivência. Durante a pandemia, o lançamento da licitação desse equipamento cumpre meta do Plano Municipal da Cultura.

De outro lado, a cidade recebe a notícia do fechamento, agora para valer, do Centro Cultural Antonio Pinhal, o Cecap, após 13 anos de luta e atividades na rua Boa Vista. A primeira ameaça sobre o fim desse território cultural ocorreu em novembro. A suspensão das atividades em função da pandemia determinou a decisão tomada pelo arquiteto Paulo Pinhal.

Na cultura, essa “era dos extremos” exigirá fôlego, compreensão e energia extra dos gestores, produtores, artistas e defensores das artes. Esse campo da atividade humana é o que menos recebe atenção dos governos e dos cidadãos – grande parcela da população não vê a arte como um catalisador para impulsionar a geração de renda e receita, para o turismo, o comércio, a economia. Acha que artista não é um trabalhador. Um erro, como a pandemia demonstra.


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