CULTURAL

Arte-educação é tema de eventos nesta semana em diferentes pontos de Mogi

DESTAQUES Organizador da programação, Marco Guerra apresenta uma oficina nesta quarta-feira. (Foto: divulgação)
DESTAQUES Organizador da programação, Marco Guerra apresenta uma oficina nesta quarta-feira. (Foto: divulgação)

Entre hoje e domingo, ruas, praças e espaços de Mogi das Cruzes serão “tomados” por 25 atividades artísticas, já que espetáculos, oficinas e mesas de debate formam o 1º Risamor – Encontro Internacional de Palhaços Educadores. O tema comum a todas as ações é, além da reflexão, a formação gratuita de professores e arte-educadores.

Financiada pelo Programa de Fomento à Arte e Cultura Municipal (Profac) e com o endosso da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP), a agenda quer “formar público” e prevê eventos coordenados pelos mogianos Denise Andere (mesa de debate, hoje, às 15 horas, na Associação Santa Tereza), Aline Chiariadia (oficina, hoje, às 19 horas, no Casarão do Carmo) e Marcio Pial (mesa de debate e oficina na sexta-feira e espetáculo no domingo, em diferentes endereços).

Ao todo são dez espetáculos, sete oficinas, seis mesas de debate e duas palestras, num total de quase 60 artistas pesquisadores envolvidos (veja quadro nesta página). A organização acredita que “o principal produto gerado seja a satisfação catártica dos espectadores, cidadãos da cidade que recebem em sua alma uma semente de sensibilidade, que mais tarde brotará e crescerá junto com seu município”.

Além dos nomes locais, há alguns estrangeiros na programação, como um argentino e um chileno, mas a tal rede “internacional” de palhaços educadores ainda não existe. No entanto, o Risamor, idealizado pelo ator, agitador cultural, professor, arte-educador e palhaço Marco Guerra é a primeira iniciativa para que se chegue lá.

Para entender o que isso quer dizer, é preciso fazer uma observação sobre a trajetória pessoal de Marco. Desde o início dos anos 2000 ele se dedica a estudar importância do personagem palhaço enquanto educador, “nu”, ou seja, livre de maquiagens ou outros apetrechos.

“A base de tudo é a Pedagogia do Palhaço, ou seja, uma tentativa de ampliar a comunicação com os alunos através de habilidades artísticas. Neste processo, a figura que se apresentou como artista mais interessante foi o palhaço, por causa da transgressão”, resume ele.

Isso quer dizer que todo o trabalho é como a extensão de uma metodologia de ensino, e talvez até mesmo de vida. Os envolvidos são artistas e pesquisadores nas áreas da palhaçaria e da educação.

De acordo com Marco, “o projeto pretende alegrar com espetáculos variados, mas também refletir, educar, formar público, e sobretudo, formar professores e arte-educadores com as mais inovadoras técnicas artísticas”. Tudo iso para “ampliar e fortalecer a comunicação dos docentes com os alunos, com a escola, com os outros funcionários e com a comunidade”.

Esta não é a primeira tentativa de desenvolver a tal “rede” na cidade. Em junho de 2018 a companhia de Marco, Circolo Livre de Atuadores, realizou em cinco distritos mogianos o projeto ‘Circo de Brinquedo do Palhaço Melancólico’, que também contou com oficinas e workshops de formação.

No entanto, por mais que a parte artística da iniciativa tenha sido próspera, o mesmo sucesso não foi visto na agenda pedagógica. “O maior número de participantes foi nove professores, o que nos deixou preocupados, já que a educação sofre muito com a educação continuada e outras questões”.

É aí que entra a FEUSP, com certificação para os cursos, o que deve, de acordo com os organizadores, ajudar a chamar mais público. “Desta vez fizemos inscrições prévias e recebemos muitas matrículas”, anima-se Marco, que diz que o resultado das atividades será o levantamento das principais demandas da cidade.

Independente desta tabulação de dados e também da produção de um material iconográfico e audiovisual, já é possível afirmar uma das principais aplicações das atividades: a amenização de questões relacionadas a violência, principalmente às praticadas nas escolas, ligadas a “bullyng, desencanto, depressão, angústia, incompreensão, solidão e, principalmente, falta de comunicação”.

Outras informações sobre o evento estão disponíveis em facebook.com/1risamor/ ou então pelo telefone 98792-1287.


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