Arte em movimento

Há dias, um dos galpões do Casarão do Chá serve de oficina para o artista japonês Nobuo Mitsunashi, alunos dele, estudantes da Universidade Nacional de Artes e Musica de Tokyo, e um grupo de 35 mogianos de três a 16 anos, do Atelier Olhar, de Mogi das Cruzes. Ao abrigar esse coletivo de criação e arte contemporânea, a Associação Casarão do Chá alcança, de forma indiscutível, a missão que a originou, 20 anos atrás, com a intenção de restaurar, preservar e, sobretudo, transformar esse patrimônio histórico nacional, localizado no Bairro do Cocuera, em um centro histórico, turístico e cultural.Dessa forma, o grupo de defensores de um dos marços da imigração japonesa, reunido pelo artista Akinori Nakatani, vê amadurecer um projeto, inicialmente rechaçado por políticos e até moradores do entorno da antiga fábrica de chá Tokyo, que não acreditavam no poder de atração que um espaço cultural localizado na zona rural de Mogi das Cruzes poderia exercer junto à comunidade. Os que abraçaram a defesa do Casarão não deram ouvidos aos que os desestimularam no passado, e a Associação do Casarão do Chá mantém hoje um espaço cultural visitado por milhares de pessoas e aberto a iniciativas artísticas como a apresentada por este jornal na edição de domingo.
Ao abrigar Nobuo Mitsunashi e seus discípulos, o Casarão do Chá exerce a função maior de um bem cultural em movimento, ativo, e também cria condições para a realização de experiências coletivas que favorecem a construção de memórias, informação, formação crítica e artística contemporânea.
A instalação de Misunashi será exposta no Museu Afro-Brasil, na Capital, de 7 de maio a 7 de agosto e está sendo preparada no Casarão do Chá. Essa instalação – e a maneira como ela está sendo feita – projeta positivamente o nome do espaço cultural, considerada, agora, de utilidade pública. Serão 15 mil rosas, cinco mil delas, queimadas, num delicado processo de transformação das flores que serão instaladas dentro de canoas, também fabricadas no mesmo local. Esse dois elementos, as rosas e as canoas, que serão apontadas para a África, propõem uma reflexão sobre a formação do Brasil, com o uso da mão de obra escrava africana, e o entrelaçamento da cultural brasileira e japonesa.
Já conhecido pela agenda de visitas, exposições, oficinas e a feira de arte, artesanato e gastronomia, aberta aos domingos, o Casarão do Chá segue as raízes do pioneirismo que deu vida a ele no passado, quando foi construído para abrigar uma fábrica de chá preto, durante a expansão das relações comerciais entre o Brasil e Japão.


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