PROJETO

Artista plástico Chaer incrementa o ‘jardim’ alagado, no Nova Mogilar

ARTE Instaladas gradualmente desde a primeira quinzena de novembro, as três árvores prestam homenagem ao Jardim das Oito Virtudes, belíssima propriedade de Chang Dai-chien. (Foto: Eisner Soares)
ARTE Instaladas gradualmente desde a primeira quinzena de novembro, as três árvores prestam homenagem ao Jardim das Oito Virtudes, belíssima propriedade de Chang Dai-chien. (Foto: Eisner Soares)

Há um mês O Diário noticiava a instalação de uma árvore colorida em área alagadiça entre o Rio Tietê e o Colégio Mello Dante, no bairro Nova Mogilar. Agora, a novidade não é a presença de arte num espaço nunca antes utilizado para este tipo de manifestação, mas sim o fato de que, não satisfeito com a presença de uma intervenção no local, o artista plástico Mauricio Chaer instalou outras duas árvores, criando uma espécie de jardim recheado de cores, críticas e referências.

O trio de obras é feito a partir de galhos de mamona. A primeira foi levada lá, no braço de seu criador, na primeira quinzena do último mês de novembro. A segunda, dez dias depois. E a terceira na recente quinta-feira, dia 19 de dezembro.

Projeto do artista plástico Chaer faz referência ao pintor chinês Chang Dai-chien e instala a terceira árvore colorida em área do Nova Mogilar

À época da intervenção inicial, Chaer já tinha manifestado – e agora reforça – como uma de suas principais referências o Jardim das Oito Virtudes, belíssima propriedade construída pelo internacionalmente reconhecido pintor chinês Chang Dai-chien no distrito de Taiaçupeba. Hoje debaixo das águas da Barragem do Rio Jundiaí, a propriedade continha lagos, jardins, pontes e esculturas naturais. Era um lugar de paz, tranquilidade e conexão com a natureza. E é isso o que Chaer quer passar com suas árvores intituladas ‘Paraíso na Terra’.

Nas últimas semanas, localizadas num ambiente que contém outdoors, muitos carros, empreendimentos e condomínios, as peças do mogiano fizeram sucesso. Como ele mesmo diz, “muitas pessoas apontam, comentam, param para ver e tiram fotos”.

A repercussão é motivo de orgulho, já que uma das preocupações do projeto é provocar “um grito ecológico”. Afinal, as construções do entorno da localidade têm eliminado a paisagem natural do ambiente: uma espécie de pântano, com água e árvores, apenas.

Chaer explica que trata-se de um movimento chamado Land Art, que visa desmistificar com “seriedade e consciência” a divisão entre o ambiente “rural e o urbano” criada ali. Além disso, tem tudo a ver com resistência. “Também é um grito da própria arte contemporânea, que praticamente ninguém faz por aqui”.

Fato é que, pelo conjunto da obra, Chaer foi convidado a dar entrevistas para o documentário ‘Dai-chien: Um Grão de Areia’, que está sendo produzido pela cineasta sino-americana Weimin Zhang neste momento em que se comemora os 120 anos do nascimento de sua principal inspiração, Chang Dai-chien. O chinês viveu em Mogi na década de 1940 e acaba de voltar ao topo dos mais requisitados artistas do planeta.

Lisonjeado em poder participar, Chaer explica que criou, com os galhos de mamona espalhados pela cidade (leia mais abaixo), um tipo de alfabeto que pode ser “lido e interpretado”, pois contém mensagens. E aos 62 anos, ele comemora ter desenvolvido esta técnica depois dos 50, o que lhe conferiu uma “nova fase” e um “novo fôlego” profissional.

E novos vários projetos vem por aí em 2020. Maurício Chaer garante que três é o número final de árvores coloridas no Mogilar, mas, receoso em divulgar o que por enquanto são ideias, admite pensar em ações com a mesma técnica relacionadas ao Carnaval da cidade, e ainda diz querer “expandir as produções em espaços públicos”.


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