As estrelas do Salão de Frankfurt

Num mercado em recuperação, os fabricantes reservam algumas novidades para não fazerem feio no motorshow

Os alemães não têm pudores em afirmar que o Salão de Frankfurt é o maior do mundo. Uma coisa é certa: é o maior pelo menos em tamanho físico. O evento ocupa 13 pavilhões do centro de exposições do gigantesco Frankfurt am Main, entre 17 e 27 de setembro. Isso em um momento em que o mercado da Europa começa a se recuperar da crise iniciada em 2008. Por isso, todas as marcas trataram de deixar pelo menos um modelo de interesse para exibir no Salão. Mesmo que as fabricantes, cada vez mais, prefiram promover seus grandes lançamentos fora das datas de motorshows para garantirem uma cobertura de mídia mais volumosa. Confira, a seguir, os destaques do salão. (Eduardo Rocha/AutoPress)

Alfa Romeo Giulia – O sedã italiano ressurge depois de 33 anos fora do mercado, com um motor 2.9 litros turbo de 510 cv, desenvolvido junto com a Ferrari. Ele é capaz de fazer de zero a 100 km/h em 3.9 segundos e chegar a 307 km/h. A tração é traseira e seus 1.524 quilos são distribuídos igualmente entreos dois eixos. As encomendas, que passam a ser aceitas após a apresentação em Frankfurt, são para modelos a partir de 95 mil euros, ou R$ 420 mil. No caso de um improvável desembarque no Brasil, seu preço começaria em torno de R$ 800 mil.

Audi E-tron Quattro Concept – O crossover cupê da Audi combina aerodinâmica eficiente com traços marcantes, que indicam o futuro do design da marca. Três motores elétricos combinados rendem até 504 cv e a autonomia do conjunto de baterias é de até 500 km. O E-Tron Quattro está sendo pensado para brigar com BMW X6 e Mercedes- Benz GLE Coupé.

Bentley Bentayga – O protótipo EXP 9F não fez muito sucesso em suas aparições. Por isso, a Bentley mudou um pouco a cara de seu primeiro SUV, decantado por ela como o mais luxuoso já construído no mundo. O utilitário compartilha a plataforma do Audi Q7. A propulsão/motor também está à altura de um modelo da marca: com motores a gasolina biturbo e elétrico, o conjunto rende cerca de 600 cv. Na parte frontal, enormes entradas de ar junto com a grade cromada e faróis redondos, típicos da Bentley. Na traseira, as lanternas possuem formato similar ao do sedã Flying Spur, e na lateral, linhas fluídas com vincos marcantes.

BMW Série 7 – A sexta geração do sedã recebeu grandes doses de luxo e tecnologia. Além do visual mais marcante, o BMW também emagreceu 130 quilos e passa a contar com suspensão adaptativa a ar em todas as versões. O sistema multimídia reconhece gestos e há comando na chave para estacionar remotamente, com o motorista fora da cabine. Para impulsionar o veículo, são disponibilizados motores de seis e oito cilindros, com potências que variam de 265 cv a 450 cv.

Bugatti Vision Gran Turismo – A Bugatti mostra o conceito Vision Gran Turismo, desenvolvido exclusivamente para o game Gran Turismo 6. Criado em parceria com a própria desenvolvedora do jogo, a Polyphony Digital, o bólido virtual não ganhará versão de produção, mas inspirará o design do futuro superesportivo da marca, Chiron, que substituirá o Veyron.

Citroën Aircross Concept – Revelado em abril último, no Salão de Xangai, na China, o conceito nada tem a ver com o Aircross que é vendido no Brasil. Seu visual remete ao crossover C4 Cactus, porém é mais agressivo e robusto, com pitadas de sofisticação e híbrido. O motor é um 1.6 16V THP a gasolina com 218 cv de potência instalado sobre o eixo dianteiro, que recebe a ajuda de outro elétrico de 95 cv sob o eixo traseiro. Internamente, ele traz quatro bancos individuais e as portas abrem em par – não há coluna central. De acordo com a marca francesa, ele é capaz de rodar 58,8 km com um único litro de combustível e cumprir o zero a 100 km/h em apenas 4,5 segundos.

Ferrari 488 Spider – A Ferrari garante que o 488 Spider é o conversível mais poderoso já construído. Com apenas 1.420 quilos, ele é animado por um V8 biturbo central-traseiro de 3.9 litros de 670 cv e 77,5 kgfm de torque, o mesmo utilizado na 488 GTB. Com uma potência específica impressionante – 172 cv/litro -, o superesportivo percorre o zero a 100 km/ h em três segundos e alcança os 200 km/h partindo da inércia em 8,7 segundos. O cupê-cabriolet possui teto rígido retrátil de vidro e fibra de carbono de tamanho bem reduzido, o que o torna 25 quilos mais leve do que se fosse feito em lona com armação de metal. Ele pode ser fechado totalmente em 14 segundos.

Ford Ranger – Mostrada pela primeira vez na Tailândia, em março, a picape média da Ford de cara nova tem desembarque confirmado no Brasil no ano que vem, no primeiro semestre. Em Frankfurt, aparece com o mesmo trem de força utilizado no Brasil: um 3.2 litros turbodiesel de cinco cilindros e capaz de render 200 cv. Já a transmissão é automática, de seis velocidades. O “face-lift” afetou a grade, que adota o formato hexagonal da nova identidade visual da Ford, o conjunto óptico e o para-choque. Na traseira, nota-se uma leve modernização na lanterna. O resultado geral é um aspecto menos robusto e bem mais elegante. A tecnologia embarcada também aproxima a Ranger de um carro de passeio: há central multimídia Sync com tela “touch” de oito polegadas, GPS, comandos por voz, direção elétrica, controle de cruzeiro adaptativo, monitor de ponto cego e sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, entre outros.

Jaguar F-Pace – O F-Pace teve uma avant-première em Frankfurt logo após entrar para o livro “Guiness” de recordes por ter feito o maior “looping” da história, com mais de 18 metros. O crossover divide a plataforma com o sedã médio XE e será lançado comercialmente em fevereiro de 2016, chegando ao Brasil em meados do ano com motores diesel 2.0 turbo de 180 cv e 3.0 V6 a gasolina de 340 cv e 380 cv. Os preços serão a partir de R$ 300 mil.

Mercedes Classe S Cabriolet – O modelo que ocupa o topo da linha da marca volta a receber a variante conversível após 44 anos. A configuração com capota de tecido retrátil se baseia no Classe S Coupé. Na versão S 500 carrega sob o capô um motor V8 de 4.6 litros, com 455 cv de potência e 71,4 kgfm de torque, acoplado a uma transmissão automática de nove velocidades. Já na variante AMG, da divisão esportiva da marca, a versão S63 terá um motor V8 de 5.5 litros e 585 cv e 91,8 kgfm em conjunto com uma transmissão esportiva AMG de sete velocidades.

Mini Clubman – A nova geração do Mini Clubman aparece maior em Frankfurt. O modelo, baseado no Mini hatch de quatro portas, cresceu 27 centímetros a mais que o antecessor e ganhou portas maiores. A perua é equipada com o motor Twin Turbo 2.0 litros, de 192 cv, com câmbio sequencial de oito marchas. O zero a 100 km/h é feito em 7,1 segundos. No Brasil, o Clubman deve desembarcar ainda este ano.

Peugeot Fractal – O cupê-conceito elétrico da Peugeot foi desenvolvido com um tratamento acústico sofisticado, para que sua presença seja mais facilmente detectada pelos pedestres e agradável para os ocupantes. Seus dois propulsores, um em cada eixo, somam 204 cv e empurram o Fractal do zero a 100 km/h em 6,8 segundos. A autonomia oferecida pelas baterias de íon de lítio é de até 450 km.

Porsche Mission E – A promessa do conceito elétrico da Porsche é ter uma autonomia de até 500 km. O esportivo de quatro lugares não tem coluna central, daí suas quatro portas se abrirem em pares. O modelo tem dois motores elétricos capazes de gerar 600 cv, distribuídos pelas quatro rodas. Com isso, vai do zero aos 100 km/h em irrisórios 3,5 segundos. A carroceria é feita a partir de uma mistura de alumínio, fibra de aço de carbono e polímero reforçado. As rodas, de 21 polegadas na frente e 22 polegadas na traseira, são em fibra de alumínio.

Renault Mégane – A quarta geração do Mégane chega com um visual arrojado, marcado pela assinatura em LEDnos faróis em formato de “C”. As linhas gerais ficaram mais esportivas e o interior recebeu itens como um tablet vertical de 8,7 polegadas no console central. O Mégane chega com seis motores, que vão de 90 cv, na versão diesel de entrada, a 205 cv, para a GT a gasolina.

Volkswagen Tiguan – A segunda geração do utilitário esportivo da VW passa a adotar a mesma plataforma do hatch Golf e do sedã Audi A3, que estão entrando em produção na fábrica paranaense de São José dos Pinhais. Por conta disso, o SUV ficou 50 quilos mais leve que o antecessor. Os motores disponíveis na Europa vão de 115 cv a 240 cv. O mais provável é que o modelo que será vendido no mercado brasileiro seja o que utiliza o mesmo propulsor empregado no Audi Q3: 1.4 turbo de 150 cv.


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