ARTIGO

As incertezas do mercado de trabalho

Claudio Costa

claudio.costa@dobroy.com

O mercado de trabalho, como era esperado, vem mudando seu perfil e como consequência os indicadores de performance de emprego já não são suficientes para entender o que realmente acontece na economia, como um todo, nos dias atuais.

Nos últimos 12 meses, das 2,4 milhões de vagas criadas de emprego 892 mil ou 37% foram ocupadas por pessoas que trabalham menos do que gostariam, ou seja, menos do que 40 horas semanais. Este número vem aumentando nos últimos 3 meses e em alguns lugares, como o Rio de Janeiro este número chega a 90%.

Os dados só demonstram o quanto a taxa de desemprego é insuficiente para compreender o mercado de trabalho que foi duramente prejudicado nos últimos anos e pelo contexto atual de reação muito limitada. Se não bastasse isto, ainda temos uma desqualificação da mão de obra em função da tecnologia e também alguns reflexos da reforma trabalhista.

Estes profissionais, chamados de “Subocupados” já somam 7,4 milhões de pessoas e dobrou de tamanho nos últimos 4 anos.

Neste número, 19% são empregados domésticos, 31% em ocupação elementares, 54% são mulheres e o salário medio gira em torno de R$ 826,00 por mês.

A verdade é uma só de que o mercado de trabalho ainda vive um momento de muita incerteza e embora o país vive um momento de retomada o empregador ainda não confia neste novo cenário económico ou seja o fruto da atividade ainda fraca acaba por retroalimentar a morosidade da economia.

Assim, mesmo que a economia venha a aquecer com mais intensidade, em um primeiro momento teremos o subocupado que ira trabalhar mais e só depois viram novos empregos.

Quando falávamos que no futuro o perfil do emprego iria mudar vemos que o futuro chegou e novamente temos que pensar no futuro. Uma coisa é certa, seja qual for a forma de trabalho, quem estiver qualificado terá as melhores chances, quem não estiver qualificado tem ainda a chance de se requalificar mas não podemos esquecer que ainda teremos uma parcela grande que não tem condições de se requalificar e para este publico restarão os empregos elementares.

Esperamos sim que nossa parcela de subocupados seja cada vez menor.

Forte abraço.

Claudio Costa é diretor de Desenvolvimento Econômico e Social da Prefeitura de Mogi das Cruzes

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