ARTIGO

As leis de mercado

Rafael Sampaio

Por incrível que pareça, tem muita gente imaginando que as leis de mercado foram revogadas. Mas não, não foram – e nem serão.

Porque são leis naturais, lógicas, objetivas, matemáticas e se aplicam de forma automática mesmo considerando as muitas variáveis subjetivas, emocionais e sob influência da sorte – ou do azar.

Estratégias e táticas inteligentes ou suportadas por volumes ilógicos de investimento podem até dar a sensação temporária de que se conseguiu revogar essas leis; mas a realidade se apresenta mais cedo ou mais tarde e faz valer sua inescapável lógica.

Vamos lembrar algumas delas.

Quanto mais prospects e clientes, maiores as chances de venda. Essa é o que dá sentido à publicidade; mas é incrível ver a quantidade de propostas que tentam burlar essa “lógica do funil”: é preciso impactar uma imensa quantidade de suspects para se ter uma massa razoável de prospects e compradores iniciais, um volume sustentável de clientes e, ao fim, a cereja do bolo dos advogados da marca.

Quanto mais sua marca for conhecida e reconhecida, maiores suas chances de fazer negócios. Ela permanece absolutamente válida e implica em anunciar na dimensão da natureza da marca, seja na TV, para os produtos/serviços de massa, seja nas publicações do trade, para o B2B.

Se a conta não fecha, o presente é ruim e o futuro não acontece. Por não atender às leis anteriores, é fácil cair na tentação de alavancar as vendas com preços baixos, gerando a dependência mortal do incremento dos descontos e preços sempre mais baixos.

O valor da mídia depende da dimensão e da qualificação da audiência. Esta é outra que muitos acreditam ter sido revogada pela “nova mídia”. Mas não foi. Quanto maior a audiência de público qualificado, maior o valor de mídia do meio ou veículo.

Agência barata que funcione é uma lenda. Parece incrível, mas não faltam clientes e até donos de agências que acreditam na equação de haver uma agência barata com qualidade, graças às mágicas da tecnologia e outros truques que apenas alongam a agonia de serviços de baixa qualidade, falta de originalidade, subestrutura e outros defeitos que levam ao mesmo lugar: contas inviáveis de atender e extinção da própria agência.

Rafael Sampaio é consultor em Propaganda e Marketing