EDITORIAL

As lições do apagão

A demora no restabelecimento da energia elétrica em apagões provocados por fortes chuvas sinaliza uma preocupante deterioração na prestação de um serviço de alto custo para o consumidor. O caso mais recente aconteceu no final de semana, quando algumas partes de bairros de Mogi das Cruzes, Salesópolis e Guararema ficaram de um dia para o outro com as luzes apagadas. Quando isso acontece, há prejuízos pontuais para os consumidores residenciais e comerciais.

Nesse espisódio, o principal argumento dado pelo gestor executivo da EDP, Márcio Jardim, foi a severidade da chuva registrada entre a tarde de noite de domingo fora de época. “A gente não esperava”, disse ele a este jornal. Por isso, para uma parte das 40 mil pessoas atingidas pelo problema, o retorno da energia demorou mais de quatro horas.

As mudanças climáticas exigem alterações nas estratégias de atendimento a incidentes como as chuvas inesperadas. Há de se criar meios de rapidamente se acionar extraordinariamente as equipes de manutenção da rede elétrica (e responsáveis por outros setores públicos essenciais como água, mobilidade urbana, etc).

O clima mudou. Desde o século passado, especialistas e cientistas previram o que a realidade dos fenômenos meteorológicos impõe às cidades. A rotina de chuvas, raios, etc é outra. E isso requer novas políticas públicas e empresariais para o atendimento aos acidentes provocados durante ventanias e temporais.

Investimentos têm sido feito para tornar o sistema elétrico mais inteligente com ações como o secconamento das redes, uma medida de sucesso para minimizar as áreas afetadas por acidentes como a queda de árvores e rompimento dos fios aéreos. A EDP divulga com frequência esses investimentos. Eles surtem resultos. No domingo, o apagão poderia ter consequências ainda maiores – como acontecia no passado, quando toda uma cidade ficava no escuro. Hoje, não.

Mas o modelo está longe de ser eficiente o bastante para remediar os danos das atuais características do clima. Soma-se a isso, ainda, o aumento da ocupação de áreas rurais – um situação que tente a se acentuar ainda mais no futuro próximo em todas as cidades do Alto Tietê. Tudo isso implicará em um aumento da demanda por energia elétrica e por serviços de qualidade.

O que aconteceu no final de semana com a energia, serve de alerta para os responsáveis pela fiscalização desse e de outros serviços públicos.

O consumidor paga caro, caríssimo por esses serviços e não pode ficar refém de um vulnerável sistema de manutenção e de repação de danos para remediar efeitos de fenômenos naturais..