EDITORIAL

As mães da Apae

É de um valor que merece o reconhecimento de todos o que faz um grupo de mães e familiares responsáveis por estudantes da Associação de Pais e Amigos (Apae) de Mogi das Cruzes diariamente. Sem dinheiro para pagar a passagem de ida e volta de ônibus para a casa, as mães e irmãos de alunos da instituição permanecem em frente à escola durante o período de aula e/ou do tratamento ofertado pela entidade a crianças e jovens com deficiência física e intelectual.

A história de resistência e dedicação desse grupo foi contada em nossa edição de domingo último. Só têm direito à passagem gratuita, os acompanhantes que viajam nos ônibus com alunos da Apae. Por isso, aqueles que não têm condições financeiras de ir e voltar para a casa permanecem à espera dos filhos durante o período de aula.

Essa é uma situação antiga. E até agora, os pedidos feitos à Prefeitura para o atendimento principalmente às mulheres, que são a maioria do grupo, não tiveram êxito. Ao invés de acompanhar outros filhos ou até mesmo desenvolver alguma atividade profissional durante esse horário, elas têm a rotina comprometida pela espera dos filhos que estudam no turno entre 13 e 17 horas. Passam a tarde esperando. Faça chuva, faça sol.

O grupo de mulheres nessa situação é pequeno. Esse argumento não sensibilizou, até hoje, o poder público e nem as empresas concessionárias de ônibus. Já foram feitas tentativas para atender essa reivindicação por pessoas como o vereador Protássio Nogueira (PSD).

O exemplo dessa comunidade faz ainda mais sentido quando se observa as dificuldades que a grande maioria dos pais tem para acompanhar de perto o crescimento e o desenvolvimento dos filhos porque precisam trabalhar – e muito, para garantir a sobrevivência familiar.

Essas mães sabem o que significa para a sociabilização e o estímulo precoce para o futuro dos filhos. Quanto mais cedo e por mais tempo, os alunos forem atendidos por professores, fonoaudiólogos e outros profissionais, melhor será o desenvolvimento de suas habilidades motoras e intelectuais.

O que elas pedem, se pensar bem, é muito pouco diante dos resultados que a inclusão social dessa parcela de mogianos significa para a cidade onde o governo costuma dizer que cuida bem de seus cidadãos.


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