ARTIGO

As máquinas podem ficar com metade dos empregos no Brasil

Claudio Costa

Estudos recentes demonstram que mais da metade dos empregos formais e informais no Brasil, cerca de 58%, pode ser substituída por máquinas nos próximos dez a vinte anos, o equivalente a 52,1 milhões de postos de trabalho. Este é o resultado de uma série de estudos feitos por institutos diferentes, considerando as ocupações nas faixas de risco de automação.

São ocupações classificadas na faixa de risco alto, ou seja, maior do que 70% que serão exercidos de forma automatizada nas próximas décadas por tecnologias já existentes. São geralmente ocupações que não demandam originalidade e criatividade para serem exercidas, alem de não exigirem relações socioemocionais e certas habilidades motoras.

Um exemplo bem acabado dessas profissões ameaçadas é a condução de automóveis, táxis e caminhonetes com alta probabilidade de automação. Também estão na lista os cobradores, entrevistadores de pesquisa, balconistas e garçons em serviços de alimentação.

Os empregos que demandam originalidade e criatividade, além das mencionadas habilidades socioemocionais seriam os mais blindados e de menor risco de automação.

Das vagas que estão com poucos riscos de automação e, portanto, maior probabilidade de permanência estão os de gerentes de hotéis, psicólogo, engenheiro químico, advogados, juristas e veterinários. Veja no caso do gerente de hotel onde o mesmo necessita de habilidade de relacionamento com funcionários e hóspedes onde a robotização teria muita dificuldade de atuar.

Os estudos também alertam que fatores políticos e econômicos podem impedir que o potencial de automação calculado no estudo seja totalmente realizado. Um fator econômico é o custo da mão de obra brasileira onde o salário é relativamente baixo e isto pode tornar menos atraente para um empresário investir na substituição, alem de custos de importação, incentivos, etc…

No Brasil, por exemplo, algumas profissões como abastecimento de combustível são protegidas por lei que beneficia os frentistas, bem como cobradores de ônibus no Rio de Janeiro.

Nos Estados Unidos, a solução veio de outra direção e ao invés de proteger e frear o desenvolvimento preferiu-se investir na requalificação da mão de obra em tecnologias que demandam as ciências de dados que podem ser oferecidas de forma presencial ou online.

O futuro está cada dia mais claro, resistir não é o melhor caminho e neste sentido a educação é a maior saída.

Claudio Costa é economista, empresário e diretor de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de Mogi das Cruzes

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