Até quando esperar?

A passagem dos 44 anos de inauguração da Rodovia Mogi-Dutra, um obra que mudou o destino de Mogi das Cruzes em definitivo, lembra um atraso que também está fazendo história: a conclusão da duplicação final do acesso, entre a Rodovia Ayrton Senna e a cidade de Arujá, onde a pista simples coloca em risco a vida de milhares de usuários diariamente e torna insegura a vida das pedestres e muitos trabalhadores.Desde 2002, quando o trecho duplicado foi entregue sem a conclusão do que havia sido prometido pelo Governo do Estado, a Região do Alto Tietê espera por uma obra a ser executada em apenas oito quilômetros. São 14 anos de espera e cobranças ao governo tucano que posterga o atendimento de uma das mais legítimas reivindicações.
Durante todo esse período, o movimento nesse trecho e a expansão de bairros e atividades econômicas do entorno só cresceram e as condições de segurança continuam as mesmas de 14 anos atrás.
Agora, a promessa é de que até o final deste mês será publicado o edital de licitação para a contratação das obras, estimadas agora em R$ 169 milhões. Esse atraso só fez encarecer o projeto, evidentemente.
Com curvas sinuosas e velocidade máxima fixada em 80 quilômetros por hora, esse trecho da Mogi-Dutra é alvo diário de conflitos causados pelo excesso de velocidade e ultrapassagens perigosas. Sem passarela e sem acostamento, os pedestres são os mais vulneráveis – crianças, moradores e trabalhadores arriscam a vida na disputa do espaço com carros, ônibus e principalmente caminhões. A região entre Mogi e Arujá cresceu absurdamente, e também é um dos acessos de entrada e saída do parque industrial do Taboão.
Além da insegurança, as precárias condições do acesso também produzem prejuízos no escoamento da produção rural e industrial de Mogi das Cruzes e das cidades vizinhas que utilizam os complexos Ayrton Senna e Presidente Dutra.
Infelizmente, ao contrário do que ocorreu 44 anos atrás, quando a abertura da Rodovia Mogi-Dutra resultou de um ato de ousadia e necessidade [sem ela, a população de Mogi das Cruzes e a Região permaneceria isolada], os prefeitos atuais, até por implicações legais, não conseguem mais sair abrindo caminhos a despeito de tudo e de todos. Os tempos eram outros.
Nessa obra emperrada, há um inadmissível desprezo do Governo do Estado com uma obra necessária e que não exigirá intervenções gigantescas. Por fim, a última lembrança. Nesse tempo todo, o eleitorado regional não abandonou o governo tucano em uma só eleição. Talvez, aí, resida o erro.


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