EDITORIAL

Atenção a Jundiapeba

Jundiapeba está para Mogi das Cruzes, como o hemisfério sul do planeta está para o mundo diante da crise de saúde instalada em dezembro do ano passado, quando a nova cepa do coronavírus surgiu na China.

O distrito mogiano concentra as maiores aglomerações de pessoas nas ruas, na estação, nos comércios. Por consequência lidera os rankings de casos confirmados e de mortes.

Os países abaixo da linha do Equador vivem agora o avanço dos casos (excetuando-se bolhas dramáticas, como a vivida nos Estados Unidos) e as incertezas sobre o impacto do surto no bloco do subdesenvolvimento e da pobreza, onde estão nações como as africanas.

Embora o contágio e as mortes se dêem em todas as classes sociais, os números explosivos estão nas comunidades com menor acesso aos serviços de saúde e à informação de qualidade, e menor poder renda – o que obriga as pessoas a continuarem trabalhando ou buscando bicos.

A medida anunciada pelo prefeito Marcus Melo de se reabrir o atendimento na Unica de Jundiapeba, que vinha ofertando apenas consultas agendadas pelo telefone 160 pode não resolver todos esses problemas acima citados.

Mas é um meio de se aproximar a população mais vulnerável de um médico capaz de melhor identificar os sintomas da Covid e, principalmente, orientar sobre o que deve fazer quem vive, por exemplo, em uma casa pequena e possui um familiar com a doença.

Concentrar médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e etc, no distrito, não irá reduzir, mas mitigar os números da doença.

No atual ritmo, volta do isolamento social está cada vez mais distante. Por isso, a ausência do estado, agora, pode piorar ainda mais um quadro que já é crítico.

Outro problema a ser enfrentado: o baixo poder de atuação de organizações sociais durante a pandemia. Muitos desses organismos estão ainda mais debilitados pela natureza desse surto, que impede reuniões e encontros presenciais. O recuo das organizações não-governamentais terá um alto custo para o socorro às famílias excluídas socialmente, com impacto a todas as outras. Já se fala no fim de mais de metade das entidades sociais brasileiras, uma situação com impactos possíveis e igualmente devastadores no hemisfério sul do planeta


Deixe seu comentário