EDITORIAL

Atenção aos cemitérios

Duas décadas após a revisão do contrato de concessão do serviço funerário, uma nova legislação é preparada para atenuar os efeitos de um problema mal resolvido no planejamento urbano da cidade. Faltam sepulturas e salas para velório em número adequado para a demanda gerada pelo crescimento populacional de Mogi das Cruzes.

A distância que o poder público tomou desse assunto na provisão de investimentos e na gestão administrativa e política explica o agravamento de uma situação que revolta, com toda razão, quem a enfrenta.

Muitas famílias já passaram pelo constrangimento de ter de esperar por uma sala vazia para iniciar o velório de um ente ou, então, a correria para a retirada dos restos mortais de uma sepultura que precisa ser esvaziada para se evitar o colapso no funcionamento dos cemitérios da Saudade e São Salvador.

Os poderes legislativo, executivo e judiciário têm negligenciado no trato com as taxas de natalidade (a superlotação da maternidade da Santa Casa é uma vergonha para Mogi) e de mortalidade.

Este jornal divulgou, com exclusividade, o relatório da comissão que trata o assunto na Câmara Municipal com 18 sugestões para o setor. E espera-se para os próximos dias a apresentação de um projeto de lei de autoria do prefeito Marcus Melo (PSDB) com propostas para solucionar esse problema.

O “senão” é: há 20 anos, quando a situação já era desconfortável, parte desses apontamentos já estava prevista e não saiu do papel na última legislação sobre o serviço funerário Entre eles, a construção de novos velórios para descentralizar o atendimento no Cristo Redentor. Apenas o de Braz Cubas foi conquistado.

Outros pontos reapresentados agora são a retomada de túmulos perpétuos abandonados no São Salvador, reativação do Cemitério Santo Ângelo, em Jundiapeba, e incentivo à construção de um crematório.

Esses itens atendem falhas já sabidas. Com a nova legislação, será hora de se cobrar pela implantação das metas que exigem esforço administrativo e político.

Um esforço que infelizmente foi abandonado no passado recente, mesmo com a inconformidade e a desestrutura do setor funerário.

A ampliação da capacidade dos cemitérios esbarra em questões financeiras e legais, impostas pela legislação ambiental. Para vencê-las, o gestor precisa ter vontade política.

Ter um serviço funerário eficiente – sem espera e nem apadrinhamento político, é o mínimo que o poder público tem a obrigação de fazer.


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