EDITORIAL

Ativismo e solidariedade

Por excelência, as entidades sociais são um símbolo de resistência, luta e fé na humanidade. Na pandemia, não está sendo diferente. A reação em cadeia dos voluntários e dirigentes à suspensão da quermesse da Festa do Divino confirma a essência dos institutos mogianos no combate à desigualdade social e na atenção à criança, jovem, adulto e idoso.

Subsidiados por recursos públicos, os 29 projetos integrantes da Festa do Divino de Mogi das Cruzes estão se adaptando ao ambiente criado pela prevenção ao novo coronavírus e reagindo às perdas com a suspensão do evento.

A manutenção dessas entidades não depende exclusivamente do dinheiro obtido com as vendas das barracas da quermesse. Esses recursos extras eram usados em projetos como passeios e atividades fora do planejamento anual.

Reportagem publicada por este jornal, domingo último, revela como esse segmento se estruturou e passou a confeccionar e vender produtos culinários por sistemas de entrega (delivery e drive thru) compatíveis com a necessidade criada pelo isolamento social.

É comovente saber que o dinheiro levantado agora tem como endereço uma necessidade atual e ainda mais urgente: compor cestas básicas a famílias carentes já atendidas, de alguma maneira por essas entidades, como contou Maria Helena Duran Melo, do Núcleo Aprendiz do Futuro, da Vila Natal.

O Núcleo Aprendiz do Futuro está destinando os recursos obtidos com a venda de pães e pizzas às famílias carentes.

No mundo, o combate ao novo coronavírus dimensiona, quase cirurgicamente, o tamanho da exclusão social. Para a classe média e alta, o isolamento trouxe preocupações reais – o medo da doença e da morte, desemprego, estresse, solidão, cozinha desabastecida, insegurança, etc. Para os pobres e miseráveis, essa lista começa com algo mais grave e inaceitável: a fome.

Uma situação que as entidades – constituídas dentro dos bairros e comunidades, entendem como ninguém. Elas existem, para sanar a desigualdade.

As entidades sociais mogianas nos dão uma lição do ativismo, solidariedade e empatia. Ao priorizar a comida no prato das famílias vulneráveis, esses projetos seguem como um esteio social e reafirmam o papel como ponte entre o poder público e a população carente. Por isso, merecem o nosso reconhecimento, apoio e aplausos.


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