SITUAÇÃO

Atraso no estudo geológico mantém insegurança na Mogi-Bertioga

Obras paliativas são realizadas no talude do km 89 no sentido Mogi. (Foto: Edson Martins)
Obras paliativas são realizadas no talude do km 89 no sentido Mogi. (Foto: Edson Martins)

As chuvas do último verão transformaram a Rodovia Mogi-Bertioga (SP098) em caos. Uma série de deslizamentos interrompeu o trânsito de veículos por dias e os reflexos disso são sentidos ainda hoje, com a redução de faixa de rolamento, devido às obras para contenção de barreira no sentido Mogi da via. Mas o problema maior está na demora do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) em dar uma solução definitiva para por fim à insegurança na SP 098. Isso porque o verão acabou, o outono entrou na reta final e daqui três meses a gente retorna para o período de fortes chuvas, mas o estudo geodinâmico que deve apontar a situação do talude na rodovia, e que demoraria pelo menos quatro meses para ficar pronto, este ainda não começou.

De acordo com o DER, o processo licitatório está em fase de avaliação do relatório técnico pelo Banco Mundial. Após aprovação, será marcada a data para a apresentação de preços.

Sem exceção, todos os geólogos ouvidos por O Diário nestes seis meses desde os primeiros deslizamentos, apontam para a necessidade do estudo. Um deles, o Silvio Pomaro, foi categórico em dizer: “Traçar medidas para a Mogi-Bertioga sem ter o estudo geológico é como cuidar de um paciente com fratura sem fazer o raio-X”.

No ápice da discussão sobre a falta de análise dos taludes na Mogi-Bertioga, o superintendente do DER, Ricardo Volpi, chegou a afirmar que o processo de licitação para a contratação do estudo havia terminado e que estava em fase de assinatura de contrato. No entanto, depois o Instituto Geológico desmentiu a informação e um novo certame foi aberto.

Como medida reativa à série de deslizamentos, o DER começou a construção de muros de contenção nos pontos em que o talude se rompeu. Para quem sobe do litoral rumo a Mogi, o primeiro ponto, e o que ficou mais crítico, é o Km 89. Lá as pedras de mais de 200 toneladas desceram morro abaixo e estouraram um muro de gabião que existia por lá. Ontem, a reportagem de O Diário esteve no local. Neste interim, a estrutura foi reconstruída, o talude ganhou algumas bermas – uma espécie de degrau – e, em frente ao muro refeito, homens e máquinas trabalhavam junto à estrutura para reforçar a segurança na via.

Nos demais trechos onde os muros seriam construídos, as obras já foram concluídas: são dois no km 88, um no 87 e um no 82.

Em nota, o DER informou que atualmente são realizados serviços de melhorias nas canaletas e sistema de drenagem. Já as obras de construção do muro no Km 89 seguem e a previsão é que sejam concluídas em outubro, com investimento de R$ 11 milhões do Governo do Estado.