IMPRESSÕES

Audi TT RS é um carro feito para impressionar

O TT RS é um bólido cuja missão nem é vender e, sim, mostrar do que a Audi é capaz (Foto Jorge Rodrigues Jorge/AutoPress)

As marcas de luxo têm de ir aonde o povo endinheirado está. Por isso, elas costumam disputar todos os nichos e subnichos do mercado de diferentes tamanhos: sedãs, SUVs, stations, esportivos, superesportivos, hatches, crossovers, roadsters e o que mais aparecer. A ideia é oferecer uma versão mais requintada e tecnológica para todos os segmentos. E os preços, bem acima dos praticados pelas marcas generalistas, tendem a compensar uma eventual falta de expressão comercial do nicho em questão. Toda esta explicação serve para justificar a presença do Audi TT RS no mercado brasileiro. A versão mais potente do pequeno esportivo alemão chegou ao Brasil no início deste ano e não mudou a vida da marca; a linha TT inteira emplaca, em média, menos de uma dúzia de unidades por mês. Vender nunca foi a missão do modelo. O TT RS tem a função de forjar uma imagem de tecnologia, esportividade e sofisticação. Ou seja: é para impressionar. E isso ele faz muito bem.

O cupê da Audi é impulsionado por um motor de cinco cilindros em linha e 2.5 litros que rende 400 cv (Foto Jorge Rodrigues Jorge/AutoPress)

Por baixo da carroceria reluzente há forte parentesco com o Golf atual, pelo uso da plataforma MQB. Já sob o capô, está o motor 2.5 litros TFSI, que rende 400 cv de potência máxima entre 5.850 e 7.000 rpm e 49 kgfm de torque, já aos 1.750 giros. Nada mau para movimentar um carro com pouco mais de 1.400 quilos. Daí ele fazer de zero a 100 km/h em 3,7 segundos e acelerar até chegar a 250 km/h quando, neste ponto, um limitador eletrônico de velocidade entra em ação. Para impedir que o TT RS simplesmente decole da pista, ele conta com o sistema Quattro, com tração integral sob demanda e diversos apetrechos aerodinâmicos, como aerofólio traseiro e spoiler dianteiro, que vão além do simples enfeite.

O TT RS é um carro feito para asfaltos perfeitos. Caso contrário, o esportivo sente bastante as irregularidades do piso (Foto Jorge Rodrigues Jorge/AutoPress)

A atual geração, a terceira do modelo, ganhou 40 cv em relação à anterior, apesar de contar com o mesmo motor transversal 2.5 litros de cinco cilindros. A engenharia da Audi retrabalhou o propulsor que ganhou potência e perdeu 26 quilos, para ficar com 160 quilos. O câmbio é o mesmo S-tronic sequencial automatizado de dupla embreagem e sete velocidades.

Quando um Audi TT RS anda pelas ruas, a impressão é que se trata de um veículo de outro planeta. Ainda mais na exibidíssima cor verde, como a do modelo testado. De fato, o RS, sigla para Renn Sport, ou “Esportivo para corrida” em alemão, fica muito mais no universo das pistas. Ainda assim, o poderoso motor do TT RS se adapta bem à vida urbana. A versatilidade do propulsor 2.5 turbo de 400 cv faz com que o cupê ande bem tanto em baixos quanto em altos giros. Obviamente, em altas rotações é mais divertido.

O Audi TT RS é para poucos: no Brasil, o cupê esportivo custa R$ 425 mil, sem opcionais que o modelo não tem (Foto Jorge Rodrigues Jorge/AutoPress)

Os 49 kgfm de torque, presentes já aos 1.750 rpm, empurram o cupê com muita decisão, com uma aceleração capaz de grudar as costas dos ocupantes no encosto do banco. Em giros mais altos, o ganho de velocidade lembra o de uma motocicleta, graças à relação peso/potência de 3,6 kg/cv. O conta-giros acende uma luz amarela, depois laranja e depois vermelha para avisar a chegada do limite de rotação. Só que isso acontece muito rápido.

Tudo que o TT RS exige é um asfalto liso. Nas irregularidades ele sofre e faz sofrer quem está dentro. Sem falar no risco de morder os pneus ao encarar buracos ou mesmo bueiros desnivelados com um conjunto com medidas 245/35 R19. Ou seja, um perfil com pouco mais de oito centímetros de espessura. Em território favorável, o TT RS oferece todas as condições para se explorar uma combinação de força e aderência em alto nível, ampliada pelo sistema de tração integral Quattro.

No interior típico da Audi, tudo é na cor preta, que se mistura a apliques em fibra de carbono (Foto Jorge Rodrigues Jorge/AutoPress)

O acesso ao habitáculo exige flexibilidade de quem entra ou sai, pois além de ser baixo, tem um espaço interno exíguo. Os bancos dianteiros não são macios, mas têm desenho ergonômico. Já os assentos traseiros só acomodam crianças. Chama a atenção no interior o alto nível de requinte e a qualidade dos materiais utilizados. Uma vez lá dentro, os ocupantes contam com todos os confortos e comodidades que o espaço é capaz de conter, como ar-condicionado eficientíssimo, sistema de som de primeira linha e sistemas de auxílio à condução, entre outros.

Desde seu lançamento, em agosto, a Audi mantém o preço do TT RS em R$ 424.990, sem opcionais. O valor pedido se justifica pelos altos níveis de exclusividade, tecnologia e requinte do modelo. O revestimento interno é em couro ou alcântara em todas as partes de toque. Diversos apliques em fibra de carbono aparecem nos puxadores das portas e no console central. A forração do banco em couro negro tem costura branca. O volante multifuncional de base reta traz detalhes em alumínio.

O painel traz o mesmo “virtual cockpit” que estreou na versão “normal” desta geração do TT e vem se espalhando por toda a linha da marca. Só que no RS ele traz mais informações destinadas a um modelo com comportamento mais esportivo, como distribuição do torque em cada momento, percentual de potência utilizado e um medidor de aceleração lateral, que memoriza a força de G a que o modelo resistiu nas curvas. O volume de luzes piscantes e gráficos coloridos só confirmam a função de vitrine tecnológica da marca que o TT RS tem. (Eduardo Rocha/AutoPress)

 

Ponto a ponto – Audi TT RS

 

Desempenho – Os números do TT RS são superlativos. São 400 cv, zero a 100 em 3,7 segundos e relação peso/potência de 3,6 kg/cv. O torque alto já em baixos giros permitindo arrancadas muito poderosas, mas também se presta a passeios calmos no trânsito urbano sem deixar a sensação que se está estrangulando o motor. Não há alívio nas acelerações e a velocidade sobe rápido. Mais impressionante que a ferocidade do modelo é a forma como ele se adapta a todas as propostas de condução, desde que seja num bom asfalto. Nota 10

Estabilidade – O sistema quattro, de tração integral, e a suspensão refinada, aliviada por diversas peças em alumínio, dão uma neutralidade absoluta ao TT RS. Na versão trazida para o Brasil, não há o sistema de controle eletrônico dos amortecedores. De fato, o recurso elevaria um pouco mais o nível de estabilidade do esportivo, mas isso só faria falta em um “track Day”. Não há espaço nas rodovias brasileiras, mesmo as mais travadas, para chegar ao limite do modelo. A baixa estatura de 1,34 metro e os conjunto de asas – spoiler, aerofólio e extrator = aumentam ainda mais o equilíbrio. Nota 10

Interatividade – O TT RS traz diversos recursos para facilitar a interação com o motorista. Muitos comandos estão no volante: som, navegação pelo painel, controle de cruzeiro e “borboletas! para troca de marchas. Há ainda dois botões adicionais próximos ao cubo central do volante: um vermelho para a ignição e outro para ajustar o Audi Drive Select, sistema que configura câmbio, direção e mapeamento do motor para adequar à condução, com modos para economia, conforto e esportividade. Há também o chamado virtual cockpit, que quase transforma o painel digital de instrumentos em monitor de telemetria de equipes de competição A tela configurável pode exibir tanto o GPS quanto gráficos de torque, potência e força G exercida sobre o carro nas curvas. Nota 10

Consumo – O InMetro fez a avaliação não muito elogiável do TT RS para o programa brasileiro de etiquetagem. Ele recebeu o índice D no geral, com média de consumo de 7,5 km/l na cidade e 10,3 km/l na estrada, sempre com gasolina. Não é ruim em relação ao desempenho do modelo. Na categoria de esportivos, a classificação é a pior disponível: E. Para um comprador de um TT RS, isso não é um problema nem em relação à autonomia, pois o tanque comporta 55 litros. Nota 4

Conforto – Uma vez dentro do carro, o TT RS tem um habitáculo agradável. Em movimento, a suspensão esportiva cobra o preço de ser tão boa nas curvas e sinaliza todas as irregularidades do piso para os ocupantes. Os bancos são ergonômicos, mas não macios. Seguram bem o corpo nas curvas, mas não são nada aconchegantes. Nota 6

Tecnologia – O TT RS é uma vitrine da marca, mas não é só para olhar. É um verdadeiro esportivo. Traz um sistema de tração eficiente, um câmbio sequencial ágil e mostradores e comandos inteligentes e atraentes. Nota 9

Habitabilidade – O espaço interno é limitado a dois adultos na frente e duas crianças de até 1,40 metro atrás. E se um dos adultos for grande, a criança atrás tem de ser ainda menor. Em compensação, o interior é silencioso e há uns poucos porta-objetos que comportam celular, carteira ou uma garrafa de água. O porta-malas, por outro lado, acomoda razoáveis 305 litros, que pode crescer no caso das crianças ficarem em casa e o encosto traseiro for rebatido. Nota 7

Acabamento – A combinação de materiais e o bom gosto na decoração ajudam a justificar o alto preço do TT RS. Na versão trazida para o Brasil, todo o interior é em preto. E a monotonia da cor aplicada a teto, revestimentos, carpete e paineis, é providencialmente quebrada com detalhes em fibra de carbono, alumínio e costuras em branco no couro. Tudo muito requintado e bem cuidado. Nota 9

Design – O TT normal traz os traços clássicos de um esportivo cupê e seria confundido com qualquer outro cupê esportivo, como Porsche ou Jaguar F-Type. Mas a versão RS se destaca pelos inúmeros detalhes que o aproximam de modelo de competições de turismo e dão agressividade. De qualquer maneira, mesmo que falte uma personalidade mais forte, é um carro atraente. Nota 8

Custo/benefício – Difícil encarar a aquisição de um TT RS como um bom negócio. Mas a verdade é que o esportivo oferece muito e cobra muito também. Os R$ 429.990 se justificam pelas características esportivas, pela tecnologia embarcada e pelos preços ainda mais descarados de rivais como Porsche Cayman S, Jaguar F-Type S ou BMW M2 Coupé. Nota 7

Total – O Audi TT RS somou 80 de 100 pontos possíveis.

 

Ficha técnica – Audi TT RS

(Foto Jorge Rodrigues Jorge/AutoPress)

Motor: Gasolina, dianteiro, transversal, 2.480 cm³, cinco cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando duplo de válvulas variável no cabeçote. Duplo sistema de injeção de combustível, direta e multiponto. Acelerador eletrônico e turbocompressor com intercooler.

Transmissão: Câmbio automatizado de dupla embreagem com sete velocidades à frente e uma a ré. Tração nas quatro rodas, com a traseira on demand. Oferece controle eletrônico de tração.

Potência máxima: 400 cv entre 5.850 e 7 mil rpm.

Aceleração 0-100 km/h: 3,7 segundos.

Velocidade máxima: 250 km/h.

Torque máximo: 49 kgfm entre 1.700 e 5.850 rpm.

Suspensão: Dianteira e traseira com regulagem esportiva. Na frente independente do tipo McPherson, com molas helicoidais e barra estabilizadora. Atrás independente do tipo multilink, com braços sobrepostos, molas helicoidais e barra estabilizadora. Controle eletrônico de estabilidade.

Pneus: 245/35 R19.

Freios: Discos ventilados na frente e atrás. Oferece ABS e EBD.

Carroceria: Cupê esportivo com duas portas e quatro lugares. Com 4,19 metros de comprimento, 1,83 m de largura, 1,34 m de altura e 2,51 m de entre-eixos. Oferece airbags duplos frontais, laterais dianteiros e do tipo cortina.

Peso: 1.440 kg.

Capacidade do porta-malas: 305 litros.

Tanque de combustível: 55 litros.

Produção: Gyor, Hungria

Lançamento mundial: 2016.

Lançamento no Brasil: 2018.

Itens de série: Rodas de liga leve de 19 polegadas, ar-condicionado digital, bancos de couro com ajustes elétricos para motorista, chave presencial para ignição e travas, partida por botão, faróis full led, freio de estacionamento elétrico, sistema de som Bang & Olufsen com 705 watts e 12 alto-falantes, volante multifuncional revestido de couro e alcântara, rádio com conexões auxiliar e Bluetooth, computador de bordo, sensores de luz e chuva, sensor de estacionamento dianteiro e sensor traseiro com câmara e controle de velocidade de cruzeiro.

Preço: R$ 424.990 (Não tem opcionais).