QUARENTENA

Aumento de mortes mantém o Alto Tietê na fase laranja do Plano São Paulo de retomada econômica

PELAS RUAS A maioria circula pela área central devidamente paramentada com a máscara, mas ainda há casos de resistência ao equipamento. (Foto: Eisner Soares)
QUARENTENA Número de mortes contou negativamente para a região; prefeituras irão questionar o Estado; comércio e serviços funcionam durante quatro horas. (Foto: Eisner Soares)

Mogi das Cruzes permanece na fase laranja do Plano São Paulo. O anúncio feito nesta sexta-feira (26) pelo governador do Estado, João Doria (PSDB), com base nos números da pandemia na área leste da Grande São Paulo, na qual a região está inserida, foi um balde de água fria nos planos das prefeituras e setores de comércio e serviços. A meta era migrar para a faixa amarela e ampliar a flexibilização da economia. O prefeito Marcus Melo (PSDB) acredita que o que pesou negativamente nos quesitos do Alto Tietê, avaliados pelo Plano São Paulo, foi a alta no número de óbitos por Covid-19.

Para tentar reverter a situação, o Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) informa que vai questionar o Governo do Estado sobre a decisão de manter a classificação laranja, com todas restrições sobre a flexibilização dos estabelecimentos, especialmente em Mogi das Cruzes, que já tentou ampliar os horários de quatro para seis horas, mas teve que recuar por exigência do Ministério Público e funcionar com apenas 20% de sua capacidade.

Da mesma forma, na atual fase, restaurantes, pizzarias, bares e salões de beleza vão continuar com suas portas fechadas até que seja feita nova avaliação dos indicadores pelo Centro de Contingência do Coronavírus do Estado, no final da nova data da quarentena, prorrogada até 14 de julho.

“A expectativa era de que a região pudesse avançar para a etapa amarela no programa de reabertura a partir da próxima segunda-feira. Estamos preparados para isso, mas não aconteceu”, comentou o prefeito Marcus Melo (PSDB), logo após a coletiva do governador. Ele cita a ampliação da capacidade hospitalar instalada, mais leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), enfermaria e estabilidade nas internações.

Porém, ele entende que os principais problemas do Alto Tietê, segundo avaliação feita dentro dos quesitos do Plano São Paulo, foram os registros de alta de contaminações e de óbitos. A região, que demorou três meses para chegar a 400 mortes, teve acréscimo de uma centena de vítimas fatais apenas nos últimos 10 dias. Agora são 609 óbitos e 6.454 contaminados.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Mogi das Cruzes e região, Valterli Martinez não escondeu a sua “decepção” diante da decisão do Estado de manter a região na fase laranja. Havia uma grande expectativa reabrir a partir da próxima semana. “Com as restrições, o comércio fica prejudicado. Se pudesse funcionar em seis horas, ajudaria a melhorar as vendas, garantir os empregos, evitar tumultos, lotação nos transportes e aglomeração nas portas das lojas”, pondera.

Condemat

O Condemat que também esperava esse avanço, não aprovou a decisão. Após uma reunião realizada final da tarde com os prefeitos decidiram encaminhar ofício com vários questionamentos, em especial com solicitação de maior clareza nos dados e na fórmula de cálculo dos critérios de classificação, que será protocolado no Governo do Estado no início da próxima semana. Eles acham que as restrições vão provocar muito impacto na economia regional.


Deixe seu comentário