EDITORIAL

Avanço na saúde mental

O aumento dos registros de doenças ligadas a distúrbios mentais e emocionais, depressão, dependência química e o suicídio infantil e também na terceira idade foi destaque em diversas publicações internacionais, em outubro do ano passado, por ocasião do Dia Mundial da Saúde Mental. Uma das informações alarmantes diz respeito ao diagnóstico dessas doenças, também aliadas a transtornos quem expansão, como os alimentares e obsessivos: metade dos pacientes apresenta os sintomas até os 14 anos, mas a maioria não é detectada, e nem tratada.

Um diagnóstico precoce e o rápido acesso ao médico reduz os danos pessoais e sociais das doenças mentais. Por isso, a rede de atenção à saúde mental passou a ser mais exigida. Em Mogi das Cruzes, serviços como o Ambulatório de Saúde Mental viu crescer a espera por atendimento por causa de dois fatores: a expansão populacional e os índices dos distúrbios, muitos deles, ligados a desequilíbrios temporários que podem ser contornados com a assistência médica, psiquiátrica e psicológica.

A depressão e o combate a transtornos que se tornaram mais conhecidos, como a síndrome do pânico, têm lenitivo, mas os tratamentos públicos são deficitários nos grandes centros, e ainda mais complicados nas cidades menores. A falha começa pelo desinteresse da classe médica e dos recém-formados pela psiquiatria, um problema conhecido pela Secretaria Municipal de Saúde, que viu mais de dois concursos públicos esvaziados por falta de interesse pelas vagas abertas.

Por tudo isso, é uma boa noticia o início do funcionamento do Caps-AD (Centro de Atenção Psicossocial) Álcool e Drogas, no mesmo imóvel onde funcionou a Casa da Criança no passado, na Via Perimetral, em Braz Cubas. O serviço deverá ampliar o poder de ação municipal na atenção a um problema enfrentado por muitas famílias mogianas.

Esse será um local para assistência específica a dependentes químicos, algo que acontecia concomitantemente em outros serviços destinados à saúde mental, como o Ambulatório de Saude Mental, e o Caps II. O grande diferencial do equipamento é o direcionamento ao tratamento da dependência e a inclusão social dos pacientes. Um ponto favorável é o funcionamento de portas abertas – qualquer cidadão pode acessar o Caps AD.

Além de ser um alívio para muitas famílias, o Caps AD atenderá uma parcela da população que vive nas ruas. Antes, os surtos de dependentes chamavam mais atenção porque eles estavam concentrados, até meados do ano passado, na região central, e eram mais vistos. A atuação da Prefeitura e da Guarda Municipal acabou por dispersar essas pessoas para outros pontos do próprio Centro e bairros, onde eles seguem isolados socialmente.

Por último, paira uma tensão sobre o assunto: o novo governo federal ainda não acenou com o apoio à política do Caps, que visa reduz as internações e a institucionalização dos pacientes mentais. Mas, isso, somente o tempo responderá.