EDITORIAL

Avenida das Orquídeas

Lamenta-se a ausência do anunciado corredor exclusivo para transporte coletivo

Ela é mais, muito mais do que a solução imediata – e parcial – do trânsito rodoviário entre Mogi das Cruzes e os municípios a leste da Capital, servidos pela saturada SP-66, a Estrada Velha São Paulo-Rio, inaugurada em 5 de maio de 1928. A Avenida das Orquídeas, que vai do bairro da Vila Industrial ao limite de Mogi com Suzano, cria novo polo de desenvolvimento para a cidade.

Parcial porque desemboca em um nada, que tem o nome de Avenida Guilherme Giorgi, em Suzano. Ela lembra algo passado, por aqui, há mais de 40 anos: quando inaugurada, em meados da década de 1970, a atual Avenida Prefeito Carlos Ferreira Lopes era denominada Avenida dos Estudantes. Em editorial, este jornal qualificou a obra como “a avenida que vai de lugar algum a nenhum lugar”: não havia verba para a construção da ponte sobre o Rio Tietê e ali terminava a via.

As semelhanças param por aí. A Avenida das Orquídeas é prova acabada do que pode um município, quando tem representação política de respeito e gestão pública responsável. Os planos começaram à época do prefeito Marco Bertaiolli (2009-2016) e seguem sob a batuta do prefeito Marcus Melo envolvendo, para o custeio de seus R$ 98 milhões, verbas federais, estaduais e municipais.

Ela cria, como dito, novo polo de desenvolvimento, a oeste do centro urbano. E serve de eixo a um dos nossos espaços mais importantes. O naco servido pela nova via, paralelo à linha férrea e à SP-66 foi, por décadas, espaço aproveitado apenas para a agricultura. Isso por causa das constantes cheias do Tietê. Na década de 1930, chegou a servir como pista improvisada para pequenos aeroplanos. A regularização dos rios do Alto Tietê, promovida pelo conjunto de barragens, viabilizou sua ocupação que agora se faz, graças à Avenida das Orquídeas.

Na bonita obra que vem sendo apresentada às vésperas da inauguração, lamenta-se a ausência do anunciado corredor exclusivo para transporte coletivo que, segundo o informado quando do início das obras (26 de abril de 2016), ocuparia o canteiro central.