Bairros de Mogi exigem ações contra a pandemia

Jundiapeba e Nova Jundiapeba estão entre os bairros com maior número de casos e mortes pela Covid-19.. (Foto: Eisner Soares)
Jundiapeba e Nova Jundiapeba estão entre os bairros com maior número de casos e mortes pela Covid-19.. (Foto: Eisner Soares)

O novo coronavírus, em Mogi das Cruzes, atingiu bairros de diferentes perfis e, consequentemente, exige políticas públicas que se adequem a essas realidades. Entre as três localidades que lideram nos indicadores de casos confirmados e mortes aparecem Jundiapeba e Nova Jundiapeba, com histórico de maior vulnerabilidade, e a Vila Oliveira, de alto padrão.

A Secretaria Municipal de Saúde explica que, diferente da dengue, o coronavírus é um vírus circulante e que, diante da pandemia, não é possível mais dizer aonde a pessoa pode ter sido infectada (se no bairro onde vive, no transporte, ou até mesmo em casa).

O secretário municipal de Saúde, Henrique Naufel, analisa que Jundiapeba é uma das regiões mais populosas da cidade e os números de contágios são proporcionais, enquanto a Vila OIiveira possui uma particularidade de população circulante, com muitas pessoas que trabalham ou estudam fora da cidade.

O gestor em saúde e diretor do Hospital Santa Maria em Suzano, Marcello Cusatis, o Téo, também avaliou que o número absoluto de moradores de Jundiapeba, um dos maiores distritos da cidade, e também por ser um dos locais de maior vulnerabilidade social, que envolve um maior número de pessoas em um mesmo imóvel, já indicariam que isso poderia ocorrer.

“A gente tem em São Paulo o exemplo de Paraisópolis, em que a própria comunidade se organizou para monitorar, abordar e conter a disseminação do vírus. Então, são necessárias medidas de distribuição de álcool em gel, orientar sobre lavar a mão com água e sabão dentro de casa. É preciso entender. E eu acredito que está sendo feito, porque Jundiapeba conta com 20 agentes da Saúde da Família, e agir conforme a necessidade dela”, diz.

Já em relação à Vila Oliveira, Cusatis relembra que as classes média e alta foram as primeiras a serem atingidas porque viajavam mais ou se deslocavam para São Paulo, mas que essas residências, hoje, continuam recebendo os seus funcionários, os quais, na maior parte, são pessoas que andam de transporte público. Por isso, o vírus continua circulando. “Não há mais muros entre as cidades e os bairros. Se há a circulação de pessoas, o vírus continua circulando”, conta.

Além desse monitoramento dos bairros com maiores casos, o gestor em saúde pontuou o aumento na taxa de ocupação de leitos para a Covid-19, que em Mogi aumentou de 53 para 61 nos 118 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de Mogi, e na região, de 116 para 158 dos mais de 300 disponíveis. Os dados são das redes pública e privada.

“Será que essa evolução não é uma resposta a essa abertura descontrolada em locais que não poderiam ter sido reabertos? A gente vê muito falar do controle da epidemia, mas casos continuam subindo, o Brasil esta há um mês com mais de mil mortes diárias. Eu nunca gostei de usar esse negócio de platô, ápice. Eu prefiro uma testagem em massa para saber quanto da população já foi contaminada, por onde o vírus está ativo. Assim a gente consegue ter um mapeamento da cidade”, destaca.

A Prefeitura

Em nota, a Prefeitura de Mogi das Cruzes informou que as ações desenvolvidas para o controle de movimentação de pessoas e para evitar aglomerações estão colaborando para evitar a disseminação do novo coronavírus e diminuir os impactos da pandemia em toda cidade, em especial nos bairros que registram maiores números de casos, como Jundiapeba e Vila Oliveira.
O trabalho envolve vários setores municipais, como Departamento de Fiscalização de Posturas, Guarda Municipal, Vigilância Sanitária e Serviços Urbanos.
As ações visam o cumprimento das normas referentes ao isolamento social, restrição social, uso de máscaras e combate às aglomerações. Viaturas da Guarda Municipal percorrem os bairros com mensagens sonoras sobre a importância do isolamento social e do uso de máscaras.
A Secretaria Municipal de Serviços Urbanos também realiza trabalhos de esterilização de espaços públicos, com a pulverização de uma solução de água comum misturada à água sanitária, eficaz no combate ao vírus.


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