EDITORIAL

Balões, violência e crime

A detenção de quatro de um grupo de 20 marginais que estavam em busca dos destroços de um balão é uma reação cobrada pela sociedade ao crime ambiental praticado no pior período do ano para acontecer.

A soltura dos balões ocorre entre o outono e o inverno, o que favorece a propagação do fogo em mata ou residências.

A crônica policial é rica em relatos apreensivos de famílias da zona urbana e rural, surpreendidas pelos marginais que pulam muros, escalam paredes e agridem e ameaçam os proprietários em busca dos apetrechos valiosos para a fabricação dos próximos modelos. É debaixo do signo da violência que essa prática criminosa se perpetua.

Na manhã de domingo último, fotografias registraram mais de uma dúzia de balões pelos céus da cidade.

Em dois flagrantes, a Polícia perseguiu os grupos que disputavam os restos dos balões, nas proximidades da rodovia Mogi-Salesópolis e no Botujuru.

Em um deles quatro homens foram presos e encaminhados para a Cadeia. No outro, cinco foram identificados e serão investigados, segundo garante o delegado Denis Miragia, do Distrito Central. Entre os suspeitos há jovens e idosos.

Pressionadas pelo avanço e as consequências da soltura dos balões, as polícias Civil e Militar têm ampliado, com sucesso, esse tipo de combate. Para isso, recorre aos serviços de inteligência e investigações preliminares para identificação de grupos rivais de baloeiros, das oficinas onde o equipamento é produzido e da agenda de encontros promovidos no estado. Há uma indústria organizada para praticar esse tipo de crime.

Intensificar esse tipo de ação é aposta para inibir os efeitos danosos dessa prática. A legislação brasileira prevê penalidade para esse tipo contravenção ambiental como a detenção. Há quem defenda punições maiores.

Punir, identificar e desbaratar essas quadrilhas são caminho para combater um prejuízo social e ambiental incalculável.

Quem se viu refém das caçadas pelos destroços de um balão vive momentos de terror, apreensão e medo. Casas e quintais são invadidos, telhados depredados, por pessoas que andam em bando. Em um desses casos, no final de semana, eram mais 20 pessoas.

Agregue-se a isso, o dano causada a extensas áreas queimadas a partir das chamas de um balão que pousa na vegetação seca.

É preciso reconhecer e incentivar as equipes policiais que atuam para coibir os danos provocados pelo que parece bonito, mas é danoso e deixa um grande e, muitas vezes, impagável rastro de violência física, patrimonial e ambiental.


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