Bancos internacionais indenizam SP em 81 mi

Dois bancos estrangeiros transferiram para o Brasil nesta semana o equivalente a R$ 81,5 milhões a título de indenização por ajudar a tirar do país dinheiro desviado pelo ex-prefeito Paulo Maluf (PP) de obras viárias na cidade de São Paulo – o que ele nega. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (3) em entrevista coletiva com membros do Ministério Público do Estado e o prefeito Fernando Haddad (PT), candidato à reeleição.

O dinheiro será reservado para a compra do terreno do futuro Parque Augusta, na região central, e para a construção de cerca de 20 creches. Os bancos Citibank e UBS se comprometeram a pagar, respectivamente, U$ 15 milhões e U$ 10 milhões – 90% do valor será transferido aos cofres municipais e o resto ao Estado.

No ano passado, o Deutsche Bank transferiu o equivalente a U$ 20 milhões. Com isso, o total já pago em acordos soma U$ 45 milhões (equivalente a R$ 147 milhões). Os recursos haviam sido desviados durante a construção do túnel Ayrton Senna e da avenida Água Espraiada (atual Roberto Marinho), ambos na zona sul da capital, segundo o Ministério Público.

De acordo com o promotor Silvio Marques, do patrimônio público, já chegaram a ser bloqueados U$ 340 milhões de empresas ligada a Maluf usadas para lavar o dinheiro desviado. As ações de repatriamento, porém, ainda estão em andamento.

O promotor afirmou que a família de Maluf já foi condenada pela justiça da Ilha de Jersey a devolver U$ 33 milhões, dos quais U$ 10 milhões já foram repatriados. Restam ainda U$ 23 em ações bloqueadas da empresa Eucatex, da família de Maluf, que devem ser convertidos em moeda corrente.

O prefeito Haddad afirmou que ainda negocia com as construtoras Cyrela e Setin, donas do terreno do parque Augusta, para a compra da área. A oferta é de R$ 40 milhões.

A assessoria de imprensa do ex-prefeito e hoje deputado federal Paulo Maluf negou ele tenha desviado verbas das obras viárias da cidade. Segundo a equipe de comunicação de Maluf, ele não tem contas no exterior. Além disso, o assessor do ex-prefeito, Adilson Laranjeira, afirmou que as acusações dos promotores são um assunto “velho e requentado”.


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