EDITORIAL

Bandas vitoriosas

Merece todo o reconhecimento o resultado da participação das quatro escolas mogianas classificadas no Festival Estudantil de Música Instrumental e de Corais da Cidade de São Paulo 2018, participantes do projeto Pequenos Músico… Primeiros Acordes na Escola, no último final de semana.

Há algo tão importante quando a conquista obtida pelos próprios integrantes das bandas dos Cempres Professor José Limongi Sobrinho, do Botujuru, e Oswaldo Regino Ornellas, e da escola Professor Mário Portes, ambas do Distrito de Jundiapeba: a valorização da escola pública, um patrimônio social desgastado junto à opinião público por causa do desempenho dos alunos, sobretudo nos ciclos médio e superior, e problemas como a própria evasão escolar.

A boa performance dessas bandas reconhece os investimentos feitos no ensino da música, além do crucial papel exercido por educadores e pais de alunos ao dar suporte a um projeto que, sim, recebe apoio financeiro da Prefeitura, mas não sobreviveria se as equipes ligadas ao ensino de música e a direção, além da comunidade escolar (pai, mãe, etc.) não estimulassem os jovens talentos a participarem da iniciativa. Um conjunto de valores envolve a conquista dessas bandas e escolas.

Soma a isso, ainda, a projeção que um campeonato intermunicipal dá a Mogi das Cruzes. O feito dessas bandas que se notabilizaram, no ano passado, quando o Cempre Limongi Sobrinho foi o campeão nacional do Festival Nacional de Bandas e Fanfarras, ocorrido em Aracajú (SE), mostra que o “Pequenos Cantores” é uma aposta acertada do governo municipal. Hoje ele está em 16 unidades escolares. Seria importante levá-lo a toda a rede.

Há dez anos, o ensino de música tornou-se obrigatório nas escolas públicas e particulares. Mas, nem todas as unidades cumprem integralmente a legislação, por falta, inclusive, de mão de obra.

A música é uma ferramenta de aprendizado que atrai o aluno à escola. Um dos responsáveis pela evasão escolar e o desinteresse pelo ensino oficial é justamente a falta de projetos que falem a mesma linguagem das novas gerações. Pesquisas mostram que muitos estudantes deixam a escola por falta de motivação, porque não encontra, ali, um ambiente cativante.

Não apenas a música, mas também o teatro, a dança, as expressões artísticas são meios eficientes para envolver o aluno, o pai do aluno, o professor. A receita, Mogi conhece bem. O sucesso das competições entre as fanfarras do Liceu e do Washington Luís está no imaginário coletivo da Cidade, e é conhecido mesmo por quem ainda não tinha nascido em 1960.