Bárbara Paz vive Maggie que já foi de Liz Taylor

 Mulher forte e bela, Maggie luta para reconquistar o marido, o jogador de futebol Brick, de Augusto Zacchi / Foto: Divulgação
Mulher forte e bela, Maggie luta para reconquistar o marido, o jogador de futebol Brick, de Augusto Zacchi / Foto: Divulgação

Eduardo Tolentino de Araújo disse certa vez a Bárbara Paz que a atriz tinha a “tessitura” de Maggie Pollitt, a “felina” que dá nome a “Gata em Telhado de Zinco Quente”, peça de Tennessee Williams, e que já foi interpretada Elizabeth Taylor no filme de 1958.
“Ela tem temperamento, a compreensão, a energia para o papel”, diz o diretor do Grupo Tapa. “Falei [há cerca de 15 anos] que quando chegasse a hora ela faria a Maggie.” O vaticínio se cumpre agora no CCBB paulista, onde Bárbara, 41, está em cartaz com sua sua “Gata”, dirigida por Tolentino.

Maggie é um dos membros da família Pollitt a se reunirem, num dia de intenso calor, para o aniversário de seu sogro, Paizão (Zécarlos Machado), um magnata do algodão no sul dos Estados Unidos da década de 1950.

Mulher forte e bela, Maggie se vê às voltas com a doença do sogro e o rebuliço que isso gera nos familiares, todos preocupados com a divisão da herança. E se debruça em recuperar a atenção do marido, o jogador de futebol Brick (Augusto Zacchi), que a culpa pelo suicídio do amigo Skipper.

“Ela tem um discurso muito moderno, mas tem padrões e aspirações antigos”, comenta Bárbara. Maggie sabe que Brick nutria pelo amigo uma afeição homoerótica, mas mantém firme o empenho em salvar seu casamento e tentar conceber um filho.
“É uma peça que retrata muito o que está escondido, o que não querem dizem.”

O diretor ressalta dois aspectos do texto, um dos mais celebrados do dramaturgo americano: o zoológico de vidro (“tem sempre gente ouvindo as conversas no cômodo ao lado”) e a perda da juventude, “que chega ao extremo com a morte de Skipper”).

Tolentino ainda faz paralelos entre a obra de Williams e tragédias gregas. “Existe um plano sexual da peça, de psicologia profunda, existe um confronto entre Eros [o deus do amor] e Tânatos [da morte], a energia sexual de Maggie e a tensão de Paizão. E a referência a Aquiles, herói grego cujo amigo morreu.”

É também, segundo o encenador, a obra do dramaturgo que mais se aproxima da realidade brasileira, já que se passa em um contexto de latifúndio e passado escravagista.

A montagem de “Gata” vem de uma série de oficinas do Tapa em que o grupo trabalha textos de Williams. Os encontros deram origem a novas traduções, de Augusto Cesar dos Santos, para as peças do americano, publicadas em quatro tomos pela É Realizações.
O quarto volume (R$ 99,90, 512 págs.) tem “Gata”, “A Descida de Orfeu “A Noite do Iguana” e será lançado na próxima terça-feira (10).

12 Horas

Bárbara colabora com trabalhos do Tapa desde “A Importância de Ser Fiel” (2002). Tolentino viu Bárbara no palco logo no início da carreira da gaúcha de Campo Bom.

Ela fazia uma parte da leitura de quase 12 horas do espetáculo “Cacilda” (1998), dirigido por Zé Celso, no Teatro Brasileiro da Comédia. “[Tolentino] me viu e disse, ‘um dia a gente vai trabalhar juntos, cuidado com o que você vai fazer com a sua carreira’. Ele sempre me alimentou muito com bons textos, sempre me incentivou.”

A atriz, que se reveza entre o teatro, a televisão (acabou de fazer uma jovem alcoólatra em “A Regra do Jogo”, novela exibida pela TV Diário) e o cinema (está em “Meu Amigo Hindu”, do marido e diretor Hector Babenco), agora prepara um documentário sobre Babenco, que deve sair em 2017.

“Acho que agora esse é meu caminho, estou indo cada vez mais para a direção”, diz ela.

SERVIÇO

Gata em Telhado de Zinco Quente
De quarta a sábado, às 20 horas; domingos, às 19 horas
Centro Cultural Banco do Brasil
Rua Álvares Penteado, 112, São Paulo
Informações: 3113-3651/ 3652
R$ 20
Até 26/06


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