SAÚDE

Bebê de 3 meses internado na UTI com suspeita do novo coronavírus é monitorado pela Prefeitura

Desde a semana passada a Prefeitura de Mogi das Cruzes vem monitorando um bebê de três meses internado com suspeita de estar com o novo coronavírus. Ele, que já apresentava outras comorbidades, entrou na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Municipal em estado grave e assim permanece. Historicamente, a doença tem afetado poucas crianças. Ainda assim, as maternidades, junto aos outros equipamentos de saúde da cidade, vêm se preparando para enfrentar a doença.

A Santa Casa de Misericórdia não tem leitos pediátricos, mas a unidade como um todo vem adotando medidas baseadas em fluxograma elaborado pelo Serviço de Controle de Infecção Hospitalar. O material busca padronizar os cuidados com o paciente desde a triagem até, caso necessário, a sua internação, objetivando as notificações, a coleta de exames diagnósticos e precauções de isolamento, assim como uso de equipamentos de proteção individual dos profissionais de saúde.

Fora da pandemia, um dos principais problemas na Santa Casa é a superlotação da maternidade, que no início do ano chegou a ter os serviços suspensos. Ontem, o setor possuía 42 pacientes, com previsão de 10 altas até o fim do dia.

CUIDADO Maternidade da Santa Casa de Mogi adota ações preventivas. (Foto: arquivo)

“Desde a superlotação ocorrida, tomamos várias medidas de contingência que foram efetivas naquele momento. Hoje, ainda trabalhamos acima da capacidade na maternidade, mas o hospital tem adotado medidas rigorosas para que todas as pacientes possam ganhar seus bebês com segurança e tranquilidade neste período”, comenta Ricardo Bastos, diretor técnico da unidade.

Entre essas medidas, ele cita a restrição de visitas e apenas pessoal autorizado circulando pelos setores de pré-parto e sala de parto. O médico afirma que a houve melhora nos números da maternidade e que agora ele está dentro do normal, considerando que ela é a única pública da cidade.

Enquanto isso, a maternidade particular do município, o Mogi-Mater, tinha ontem 31 bebês, sendo 24 nos quartos com as mães e sete na UTI Neonatal. Por lá, também foram adotadas medidas de segurança para este momento, todas baseadas no que é discutido no comitê interno multidisciplinar instituído exclusivamente para falar sobre o Covid-19.

As visitas foram limitadas a uma pessoa por dias, assim como os acompanhantes. Apenas um por leito, 24 horas, sem troca. As visitas para conhecer a maternidade foram suspensas. Todos os protocolos estão sendo seguidos à risca. A distribuição de álcool em gel aumentou, assim como informativos e cartazes que estão espalhados pela unidade. Não há casos suspeitos até o momento.

Prefeituras têm dificuldade para comprar respiradores

Os respiradores são essenciais para o tratamento dos pacientes contaminados pelo novo coronavírus (Covid-19) com quadro grave, mas levantamento do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) aponta para a existência de 824 destes equipamentos nos serviços de saúde públicos e privados da região. Conseguir adquirir mais equipamentos, seja por meio de compra ou locação, tem sido um entrave para as prefeituras que se mobilizam para ampliar a rede de atendimento aos doentes.

Além da oferta praticamente escassa de novos respiradores, a demanda elevada refletiu nos preços. O equipamento, que custava em torno de R$ 70 mil, é vendido agora por R$ 200 mil. Também quase não se encontra o aparelho para locação.

A elevação de preços não se restringe apenas aos respiradores. As prefeituras enfrentam dificuldades para a aquisição de outros equipamentos e insumos necessários no enfrentamento ao coronavírus, desde luvas e máscaras até álcool em gel. Quando há disponibilidade, os preços são muito acima dos praticados antes da demanda gerada pela Covid-19, impactando diretamente o orçamento das cidades.

“A direção do Condemat está em contato com o Cosems-SP (Conselho dos Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo), o qual busca meios legais para rebater isso e garantir a reposição aos municípios, coma poio do Ministério Público e Procon, e amparado pelo decreto estadual de calamidade pública”, explicou a coordenadora da Câmara Técnica de Saúde do Condemat, Adriana Martins.

Foi solicitado às prefeituras do Alto Tietê que informem os produtos com dificuldade de aquisição, preços anteriores e atuais, além de nomes das empresas para encaminhamento ao Cosems-SP.

No caso dos respiradores, o levantamento feito no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) do Ministério da Saúde aponta que dos 825 aparelhos registrados, 719 estão uso. Não há informações sobre as condições dos demais equipamentos.

Do total de respiradores, a maior parte – 555 – está nos serviços públicos (estaduais e municipais) que funcionam em Arujá, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis, Santa Isabel e Suzano.

Os outros 270 respiradores se encontram em unidades privadas de Arujá, Guarulhos, Mogi e Suzano. Com mais serviços de saúde, privados e públicos, Guarulhos e Mogi são as que possuem maior número de respiradores, com 421 e 226 equipamentos registrados, respectivamente – 78,4% do total. A menor oferta está nas cidades de Poá (2) e Salesópolis (1).

Os equipamentos existentes no Alto Tietê estão distribuídos em centros de referência, hospitais, maternidades e UPAs (Unidades de Pronto Atendimento).


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