ARTIGO

Bem melhor

Gê Moraes

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Para quem gosta de observar o comportamento e o jeito de ser das pessoas, não existe melhor lugar do que um shopping center. E foi para um desses centros de lojas, que este contumaz observador se dirigiu, num princípio de noite de um frio e chuvoso domingo de julho.

Após passar por tudo quanto era loja, sem nada comprar, fui em direção à praça de alimentação. Fiz o pedido e tomei assento a uma mesa, e enquanto o de comer não chegava, comecei a botar reparo em tudo que rolava por ali, no entorno e além.

Aquilo tudo era um apetitoso prato cheio que fui devorando, à medida que outro prato não vinha. A diversidade de itens era tão grande que mais parecia a famosa Feira de Caruaru. Havia de tudo para todos os gostos: crianças, adolescentes, jovens, adultos, idosos. Não faltava ninguém, a fauna estava completa.

Jovens com a pala do boné direcionada aos quatro lados da cabeça.

Crianças desobedientes que deitavam e rolavam sobre e sob as mesas.

Uns namorados héteros e outros muito pelo contrário, que se entregavam aos arroubos da paixão.

Casaisinhos entregues a briguinhas alimentadas por ciuminhos, por ter ela lançado um olhar de admiração ao gatão sentado ao lado, ou por ter ele dirigido um olharzinho maroto às belas pernas da gatinha, que por ali passeava sozinha.

Homem a falar de boca cheia. Ai que horror, que coisa feia.

Tinha muita gente tola, que os portugueses chamam de inês-da-horta.

Por lá também circulavam alguns filhotes de cruz credo, indivíduos muito feios que davam até pena de ver.

Por não fechar a boca e trazê-la sempre cheia, andavam também por lá alguns gordinhos de plantão, popularmente conhecidos como chupetas de baleia.

Coisa engraçada, que de há muito não via: alguém acometido de acesso de jojoca, bem no momento daquela gostosa beijoca – e para quem não sabe, falo e não tusso que jojoca é soluço.

Ah, como foi bom aquele olhar com atenção ao que ocorria ao derredor. Sabe duma coisa? De lá saí bem melhor.

Gê Moraes é cronista

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