EDITORIAL

Bem-vinda Felícia

Caminhamos para o terceiro mês com o noticiário centrado em uma delicada e ao mesmo tempo duríssima cobertura especial sobre a pandemia. Desde março, O Diário dedica todos os seus esforços e a maior parte de seu conteúdo às reportagens focadas na prestação de serviços e ao amplo gradiente de informações e reflexões sobre as descobertas, desafios e previsões sobre a Covid-19 que divide o mundo atual em dois tempos. Não é exagero dizer isso.

A última crise sanitária mundial ocorreu em 1918. A Covid-19 tem potência para redimensionar o comportamentos e a geopolítica. É uma guerra pela saúde.

A maior parte de nossa cobertura é marcada pelas surpresas, definições e incertezas que a nova doença representa para a ciência, a medicina, a política, a economia.

Há um forte desejo, deste jornal, em destacar o viés solidário e humano que passou a ser construído por uma grande parte das pessoas que estão lutando contra a pandemia.

E temos conseguido fazer isso. São incontáveis os casos de mentes e mãos que estão sustentando a nossa sociedade. Demos voz a inúmeras pessoas, entidades e empresas. Gente que está linha de frente dos serviços de sáude, no voluntariado, na pesquisa, inovação e tecnologia, na costura de máscaras dodas a desconhecidos, no socorro ao campo e aos que passam fome, e até na instalação de uma pia comunitária feita por um morador, em uma rua.

Foi nesse meio tempo que aconteceu algo surpreendente. O emocionante nascimento de Felícia Maria Monteiro de Moraes em um parto normal, dentro de um carro, na rampa de um hospital particular, para onde os pais foram direcionados por um erro na navegação de um aplicativo de localização..

Novados no Alto Tietê, os pais residem em Biritiba Mirim e estavam a caminho da Santa Casa de Misercórdia, mas acabaram parando na porta da unidade médica que tem memorável crônica hospitalar porque trouxe ao mundo milhares de mogianos e moradores da região. Primeiro, como a Maternidade Mãe Pobre. Agora, como a Mogi-Mater.

Médicos e enfermeiras deixaram seus afazeres para ver o espetáculo da vida. O hospital acolheu a paciente, que não estava entre seus clientes. Honrou, acima de tudo, a máxima da medicina legada por Hipocrátes, o cuidado com o outro, sem CPF, nem RG.

A equipe médica, o hospital e os pais de Felícia [que sim, tem na raiz de seu nome, a felicidade] nos premiaram com a esperança e a fé na humanidade e no amanhã.


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