COMBATE A COVID-19

Bispo de Mogi, dom Pedro Stringhini, conclama a população ao isolamento

CASA ABERTA Dom Pedro Stringhini lembra que a Catedral de Santana está aberta para quem deseja orar ou precisa de sacerdote. (Foto: arquivo)
CASA ABERTA Dom Pedro Stringhini lembra que a Catedral de Santana está aberta para quem deseja orar ou precisa de sacerdote. (Foto: arquivo)

O bispo dom Pedro Luiz Stringhini alerta à população que é necessário cumprir com seriedade o isolamento social para evitar medidas mais drásticas, como o lockdown, adotado na Europa a fim de conter a disseminação do novo coronavírus (Covid-19). Ele também defende menor burocracia para acesso aos auxílios financeiros propostos pelo Governo Federal e critica as atitudes do presidente da República, Jair Bolsonaro, diante da pandemia, que já tirou a vida de mais de 21 mil brasileiros e registra aumento de casos e mortes a cada dia. “Ter um presidente tão insensato e um Ministério da Saúde acéfalo é assustador, aterrorizador e preocupante”, destaca.

“A população tem que se conscientizar que o isolamento, que está sendo em 50% no Estado de São Paulo, não é o ideal. Há um esforço do governo estadual e prefeituras, até por isso houve a antecipação dos feriados. São tentativas, mas a população tem que responder melhor. Muita gente aproveitou os feriados para viajar, o que é uma insensatez”, avalia, não descartando a adoção do lockdown. “O Governo está fazendo de tudo para não precisar de uma medida tão drástica, porque uma coisa é fazer isso em cidades e países pequenos. Imagine em um aglomerado de 20 milhões de habitantes da Grande São Paulo! Mas se o governo assim decidir, vamos respeitar, porque temos que vencer esta doença”, diz.

A segunda posição ocupada pelo Brasil entre as nações com o maior número de infectados – mais de 330 mil pessoas – coloca a todos em alerta e, segundo o bispo, está relacionada ao comportamento do Governo Federal. “Será que vamos chegar ao final de tudo em primeiro lugar? Nós nos assustávamos quando escutávamos a situação da Itália e da Espanha, com milhares de mortos por dia. Agora somos nós. Não se consegue nem ter um ministro da Saúde”, lamenta.

A polêmica fala de Bolsonaro citando a tubaína como opção para quem não quiser ser medicado com cloroquina é criticada pelo bispo. “Ele debocha, faz piada de mau gosto, mas há uma porcentagem de fanáticos que o segue. Quando ele fala em tubaína, não está falando do refrigerante, mas sim do método utilizado em sessões de tortura. Tubaína é um dos tantos nomes diferentes e simbólicos de métodos de tortura, como pau de arara, por exemplo”, enfatiza.

Os riscos maiores de contágio na periferia e entre a população idosa gera outra preocupação. “É dramático, porque os grandes conglomerados periféricos não favorecem o isolamento e o auxílio do Governo Federal teria que chegar a todos os se inscreveram e estão tentando se inscrever, sem demasiada burocracia. Os economistas sensíveis à questão popular dizem que deveriam imprimir dinheiro para fazê-lo chegar a estas pessoas. Tudo isso fragiliza a população mais pobre”, diz o bispo, acrescentando que a maioria das paróquias distribui cestas básicas aos mais necessitados. “Mas estas ações são de caridade assistencial imediata. A caridade mais abrangente compete ao poder público, o que tem sido feito em Mogi e na região pelos Fundos Sociais”, completa.

Dom Pedro avalia ainda a necessidade de ajuda espiritual às pessoas neste momento de tensão diante da pandemia e destaca, além dos meios virtuais, os canais de TV da Igreja Católica. “Eles chegam à casa de todos e são acompanhados, principalmente, por idosos e aqueles com dificuldade de acesso à Internet. Mas a Catedral, por exemplo, fica com as portas abertas a quem quiser entrar e fazer oração, ir à secretaria ou, na emergência, falar com um sacerdote. É preciso fazer o isolamento, mas não estamos em férias. O papa Francisco lembrou que há possibilidade, na emergência, da pessoa fazer individualmente sua confissão com Deus e depois procurar o padre. A Igreja busca todos os meios para chegar ao povo e apesar da indignação contra o que está errado, porque não somos inertes, vamos sempre para a ação, com esperança e fraternidade”, conclui.

Devotos acompanham Alvorada pela internet

O silêncio da Praça Coronel Almeida, vazia, em nada lembrava o início da Alvorada do Divino de anos anteriores. A chuva que caía por volta de 4h30 de ontem já anunciava que aquela passeata seria diferente. E foi. Os devotos que costumam encher as ruas ainda na madrugada, desta vez acompanharam pela internet o evento realizado na Catedral de Santana.

Na igreja, apenas a presença dos festeiros e capitães do mastro da Festa do Divino de 2020, Mauro de Assis Margarido e Cícera Alecxandra de Oliveira Margarido e Maurimar e Roberta Fadoni Batalha, respectivamente, o bispo dom Pedro Luiz Stringhini, o diretor espiritual da festividade, Diogo Shishito, o padre Cláudio Antônio Delfino, pároco da Catedral, dentre outros religiosos, Luiz Fernando Prado de Miranda, que conduziu o encontro e a transmissão pelas redes sociais.

“É com alegria que realizamos, dentro do possível, a primeira alvorada, logo de manhã”, disse o bispo, saudando os fiéis que estão em casa, “acompanhando e rezando, formando uma grande sintonia de oração”.

Apesar de estarem unidos pelas redes sociais, todos sentiram muito a ausência dos devotos. “Foi um misto de sentimentos. Gratidão pela oportunidade de participar deste momento, muitas pessoas gostariam de estar aqui conosco, mas o que nos fortalece saber é que estamos todos juntos em oração. Para mim, foi um dos momentos mais difíceis. A Alvorada é sempre muito significativa e é nela onde sentimos muito forte a devoção e a fé dos fiéis. O que nos alimenta é saber que eles estão do outro lado, participando conosco, mas temos de entender que esta festa vai ser diferente no todo, mas a principal diferença é que, desta vez, ela será maior no encontro com Deus. Não vai ter como ter o encontro com o nosso amigo, dessa vez vai ser só a nossa espiritualidade”, destacou a festeira Cícera Alecxandra.

A capitã de mastro Roberta Batalha compartilha do mesmo momento e fala sobre a emoção ao ver uma Alvorada sem a presença dos devotos: “Foi difícil, mas temos de acreditar que se está sendo assim é porque ele permitiu. Esperamos que estejamos fazendo da melhor forma. A nossa intenção é atingir a todos, como diz a letra da música ‘A Bandeira do Divino: ‘ A bandeira do Divino vai entrar nesta morada, ai, ai.
Visitar a sua casa pra que seja abençoada, ai, ai…’. A presença dos fiéis faz falta, mas sabemos o que os impede, porque eles gostariam de estar aqui, mas estão impedidos de sair. Mas de alma e coração estão todos presentes. Eu me coloco no lugar deles, e isso, de uma certa forma, nos entristece, mas temos a esperança que isso tudo vai passar”.

Neste domingo, a programação segue com a realização da Santa Missa na Igreja Nossa Senhora do Rosário, na Vila Industrial, com a celebração do padre João Paulo Silva. A próxima Alvorada será nesta segunda-feira, no Cemitério São Salvador. Tanto a Missa como a Alvorada terão a transmissão online pelo Facebook da Festa do Divino (https://www.facebook.com/festadodivinodemogidascruzes). A missa também será transmitida pela rede social da paróquia. A programação religiosa foi adaptada para evitar aglomerações e a parte cultural e folclórica da Festa do Divino foi cancelada.

A programação completa está disponível no site www.festadodivino.org.br


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