ARTIGO

Boi lerdo toma água suja

Claudio Costa

Para o bom entendedor, meias palavras bastam. Muitas vezes demoramos demais na tomada de decisão e isto faz com que percamos tempo e dinheiro e quando acordamos é tarde demais.

Ainda que vivendo um ambiente de pré-recessão e instabilidade econômica, nestes últimos dias, alguns fatos, se bem analisados, nos mostram oportunidades futuras interessantes, a saber:

Parece que governo e o Congresso Nacional começaram a falar o mesmo idioma e todos são unânimes em afirmar que a Reforma da Previdência será aprovada ainda no primeiro semestre.

Observamos o dólar em patamares menores e a bolsa voltando para um ambiente de otimismo.

Outro fato importante: os indicadores de desempenho industrial no USA, Ásia e Europa em maio foram bastante decepcionantes e preocupantes em função da guerra comercial entre os USA e a China. Isto faz com que os investidores procurem mercados estáveis politicamente e em crescimento. O Brasil pode ser um deles.

Embora os dados da indústria no Brasil no mês passado sejam decepcionantes, eles estão localizados basicamente na indústria de extração que reflete todo o problema do acidente em Brumadinho e a Vale do Rio Doce, mesmo considerando que o preço dos minérios está atualmente em um patamar muito bom. A indústria de transformação voltou a crescer 1,2% o que reflete um possível início de aquecimento econômico.

Observa-se também que a confiança do consumidor está voltando, através dos indicadores do mercado automotivo que indicam um crescimento de 21,6% na venda de veículos novos.

Assim, fico otimista em afirmar que o segundo semestre do ano pode ser bastante interessante em termos de retomada na indústria e, como consequência, mais emprego e renda no segmento de comércio e serviços.

A preocupação agora é saber se toda a cadeia produtiva está preparada para este aquecimento e, ao mesmo tempo, se a população economicamente ativa, empregada ou desempregada, está qualificada corretamente para atender esta demanda.

Neste cenário tanto os “patrões” como os “empregados” precisam se preparar para as oportunidades que vão surgir no curtíssimo prazo e não reclamar depois que beberam água suja.

Claudio Costa é diretor na secretaria de Desenvolvimento Econômico e Social de Mogi das Cruzes