TENSÃO

Bolivianos que vivem em Mogi acompanham situação política da Bolívia

Shoshana Kesterbaum não vai à Bolívia desde 2016. (Foto: Arquivo Pessoal)
Shoshana Kesterbaum não vai à Bolívia desde 2016. (Foto: Arquivo Pessoal)

Os protestos e a instabilidade política que culminaram com a renúncia do presidente Evo Morales na Bolívia, após as eleições de 20 de outubro, têm preocupado os bolivianos que vivem em Mogi das Cruzes. Ainda pouco se sabe sobre o futuro do país. Esse cenário, atrelado às manifestações e casos de violência contra comércio e populares, deixam o país em clima de incertezas.

Hoje com 43 anos, a professora de educação física Shoshana Yaffá Najar Pereira Kestenbaum chegou ao Brasil quanto tinha apenas nove. Ela ainda voltou a morar em Cochabamba – cidade ao Centro da Bolívia – mas desde 1996 está em definitivo no Brasil. Para ela, era necessária a saída de Evo Morales do poder. Segundo Shoshana, a Bolívia está afundada na corrupção, e boa parte dessa situação é creditada ao governo de Morales.

“Já estava na hora dele sair. Eu estava achando que ele não ia sair, mas o desgoverno fez o povo se unir, eu nunca vi as pessoas fazerem isso. Eles não são de fazer isso. Estou muito feliz. Eu recebi muitas coisas na internet, e por meio das redes sociais que eles se mobilizaram. Ou seja, uma cidade se uniu com a outra, e elas não eram muito unidas. Vizinho se uniu com vizinho”.

Shoshana tem tias e primas que moram em Cochabamba. E afirma que o clima é de nervosismo por lá, isso porque acreditam que o grupo dos cocaleros são pagos por Morales para aterrorizar as pessas.

“A situação ainda não acalmou, e está está pior, porque eles querem que entre um comandante militar, para virar tipo uma Venezuela. A economia lá vai ficar bem ruinzinha, mas eu acho que depois vai melhorar. O Luis Fernando Camacho (empresário e ativista político) que liderou essas manifestações, está sendo bem aceito, mas ele afirma que não será candidato. O nome de quem eu gostaria que fosse presidente lá é Mamfred Reyes Villa, conhecido como Bom Bom, que foi um ótimo prefeito em Cochabamba”, detalhou.

Boliviana, a jornalista Maria Salas acompanha de Mogi a situação do país onde nasceu. O pai Enrique Saldias Martinez foi para Santa Cruz de La Sierra para votar na eleição presidencial do dia 20 de outubro, e permence lá. Apesar de a situação na cidade ser considerada tranquila, frente à capital, La Paz, Maria diz que o pai relata um clima de pânico e apreensão porque há ameaças de invasões a comércios.

“Por um lado, a gente espera que tenha logo uma definição de quem vai assumir a presidência, mas o pessoal ainda acredita que Morales vai retomar o poder de alguma forma. Os próprios bolivianos ainda não querem comemorar. Tem gente que diz que o próprio partido do presidente que está fazendo esses saques a lojas”, diz.

Jornalista Maria Salas conversa com o pai que está na Bolívia. (Foto: Arquivo Pessoal)

Anteontem, a Organização dos Estados Americanos (OEA) considerou, em um relatório preliminar, que a eleição no país teve irregularidades. Evo Morales chegou a convocar novas eleições, mas em seguida renunciou, abrindo um vácuo na liderança da Bolívia.

A comunidade boliviana no Brasil está concentrada em São Paulo. Porém, em Mogi, há algumas famílias residentes em bairros como a Vila Industrial, Ponte Grande, Rodeio e Vila Oliveira.


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