EDITORIAL

Bom exemplo

Quando foi criada, 11 anos atrás, um dos primeiros cursos da Faculdade de Tecnologia (Fatec) de Mogi das Cruzes foi o de agronegócios. A ideia tinha foco: estimular a formação técnica de nível superior de um profissional-chave para o desenvolvimento da vocação rural das cidades do Alto Tietê.

A atividade agrícola regional já vivia, àquela época, mudanças no perfil de atuação com a redução de áreas produzidas, da geração de empregos no campo e a implantação de novos processos tecnológicos. A criação da Faculdade de Agronegócios surgiu para atender essa demanda.

Nesta semana, a divulgação das inscrições para o processo seletivo para o segundo semestre deste ano, um exemplo bem sucedido dessa empreitada. E reforça o que esse jornal defende há tempos, a importância da Fatec como ponte para a transformação social e econômica.

A partir de um trabalho de conclusão de curso, o TCC, a estudante Sheila Aparecida da Silva, está realizando o que se vislumbrou, no passado, com a valorização do agronegócio. E isso se dá quando o conhecimento sai dos muros da academia e ganha as ruas, no caso, o campo.

O impacto é positivo na formação de profissionais e novas carreiras, na permanência desses novos profissionais na própria regiaão, e na outra ponta dessa cadeia, na vida das pessoas atendidas, no caso, dois núcleos familiares que tocam negócios familiares há décadas, em Guararema.

A partir do TCC, Sheila prestou consultoria a dois proprietários rurais daquela cidade, donos de um alambique e de uma criação de abelhas e produção de mel. E a melhor das notícias, está conseguindo ver os primeiros resultados da união entre o conhecimento acadêmico e o saber popular, a partir do incentivo e da valorização da atividade rural e do turismo.

Nas duas propriedades foram abertas as porteiras para o recebimento de visitas guiadas. No alambique, o produtor passou a ser mais conhecido e, passo seguinte, a exportar a pinga.

No sítio produtor de mel, a proprietária Elaine Pacito conta ter visto as vendas aumentaram após a chegada dos turistas, atraídos por um potencial encontrado em outras endereços semelhantes, encontrados na zona rural das cidades do Alto Tietê: história, cortesia, e a cultura caipira secular (moinho para a produção do fubá, a água da bica tomada na folha do caetê, a ida ao pomar). A receita tem tudo para ser replicada em outros bairros rurais.


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