GELADO

Brasil desponta no turismo náutico

Dos barcos disponíveis para a expedição, destaca-se o francês Podorange, que leva até 12 pessoas de cada vez para o continente coberto de neve
Dos barcos disponíveis para a expedição, destaca-se o francês Podorange, que leva até 12 pessoas de cada vez para o continente coberto de neve

As viagens à Antártida atraem cada vez mais estrangeiros para o Brasil, que desponta no turismo náutico. O principal ponto de partida ao continente coberto de neve está no litoral de Santa Catarina, onde há, pelo menos, três veleiros de países estrangeiros atracados.

Embarcar em um veleiro para uma aventura pelos mares rumo a maior reserva de água doce na Terra, a Antártida, consiste em viver a experiência de desbravar o continente gelado e conhecer de perto as principais espécies que compõem a fauna marinha como as colônias de pinguins, as aves e as baleias. E esse mercado de expedições turísticas é uma oportunidade de negócios cada vez mais comum na América do Sul e tem como ponto de apoio o Brasil, na Marina Itajaí.

Atualmente, são pelo menos três veleiros oceânicos de países como Austrália, Inglaterra e Polônia atracados no complexo náutico catarinense, e que oferecem o serviço de expedições e cruzeiros nas regiões do Sul. Entre eles, o veleiro de fabricação inglesa Podorange, do capitão francês Brice Monégier du Sorbier, que escolheu o Brasil pela segunda vez para guardar seu veleiro por cerca de 5 meses e fazer as manutenções antes de sua viagem rumo ao Ushuaia, a Terra do Fogo, para desbravar a Antártida. O veleiro de aço Podorange é um barco de corrida construído na Inglaterra em 1996 que já participou do renomado Global Challenge 96/97, uma corrida de volta ao mundo. Mas há 10 anos, oferece expedições e cruzeiros à Antártida.

“Sempre dedico 3 ou 4 meses para a manutenção do veleiro antes de fazer as expedições. Aqui no Brasil, fiz a parte eletrônica e a remoção das divisórias impermeáveis que evitam a entrada de água nos compartimentos. Mas, além da infraestrutura necessária e equipamentos, nós encontramos um ambiente tranquilo e amigável que favorece a cultura náutica. Isso porque esse é um estilo de vida em que as pessoas prezam pela sustentabilidade, compartilham informações e são capazes de aprender todas as técnicas de manutenção para enfrentar qualquer desafio no mar. Também aproveitamos para andar de bicicleta pela cidade de Itajaí e fazer compras no comércio, apesar do desafio da língua estrangeira, já que a localização da marina contribui neste sentido. No que se refere às atrações turísticas e gastronômicas, posso dizer que é maravilhoso saborear as comidas frescas do Mercado Público”, diz o capitão francês.

E os turistas confirmam o potencial brasileiro para este nicho. “Estive no continente gelado, e toda a estrutura da viagem é surpreendente. Fui bem atendida no Brasil, e o ponto alto foi a beleza selvagem das regiões frias, como os magníficos icebergs”, diz a turista alemã Rita Kluge, 47, que embarcou num veleiro em Santa Catarina no último mês de fevereiro.