BAIXAS TEMPERATURAS

Busca por vaga cresce em abrigos de Mogi das Cruzes

REFORÇO Moradores de rua são atendidos por ações como a distribuição de sopas e cobertores. (Foto: arquivo)

A morte de três pessoas em situação de rua em São Paulo, ainda sob investigação se foram causadas por conta das baixas temperaturas, deixa em alerta os serviços também de Mogi das Cruzes, que se preocupa com a crescente população de sem-teto na cidade. Grupos solidários com a situação ajudam a aquecer aqueles passam as noites geladas nas ruas. As casas de acolhimento noturno registram um aumento da procura pelos leitos por causa das baixas temperaturas.

Diferente da capital do estado, até a manhã de ontem, a Secretaria Municipal de Assistência Social não tinha registrado qualquer intercorrência com pessoas em situação de rua causada pelo frio. Segundo a titular da pasta, Neusa Marialva, é realizado um serviço de busca ativa pelos sem-teto todos os dias, com os agentes nas ruas até as 21h. O trabalho é reforçado no inverno.

AÇÃO SOCIAL Com as baixas temperaturas, a prefeitura, entidades e voluntários ampliam o atendimento a moradores de rua. (Foto: arquivo)

“Depois disso, a nossa equipe de coordenação continua preparada para o que for necessário. Geralmente, a Guarda Municipal se encontra alguém precisando de auxílio, nos liga e a gente encaminha para uma das casas. A gente fica com a relação de vagas em casa unidade, para fazer o controle”, ressalta a secretária. No passado, a cidade já registrou mortes de moradores de rua durante noites mais frias.

Atualmente, Mogi das Cruzes tem quatro casas vinculadas à prefeitura. Duas delas são administradas pela Associação Afro Brasileira. Uma pelo Caritas e a outra é a Abomoras. Juntas, elas oferecem 156 vagas fixas. Mas, nesta época do ano, são abertas mais 15 vagas de pernoite. “A gente tem essas vagas, mas as vezes, se a procura for maior, o número aumenta, porque os abrigos não negam espaço para quem busca ajuda”, ressalta Neusa.

A Assistente Social da Abomoras, Marlene Moraes Luiz, conta que além das pessoas encaminhadas pelo serviço de busca da prefeitura, há aqueles que vão até a unidade em busca de abrigo, nas noites mais frias. “Geralmente eles chegam depois das 22 horas, quando o frio começa a apertar mesmo. A gente oferece banho, uma janta ou café, dependendo do horário, e o lugar para eles dormirem. Alguns até saem e voltam para o almoço, mas a maior parte não fica para passar pela triagem técnica, para saber se precisam de documento ou algum outro auxílio”, explica Marlene.

Há 15 anos atuando na cidade, a Casa Francisco de Assis realiza uma ação todas as noites do período mais frio do ano, durante quatro meses. Os freis deixam a entidade por volta das 22h carregando café quente e cobertores. “Se a pessoa preferir, a gente leva ela para o nosso lar, mas na maior parte das vezes eles aceitam apenas o café e o cobertor. Até a 1h da manhã, o grupo percorre a região central de Mogi, parte do distrito de Braz Cubas e segue para Suzano. Há apenas quatro meses na unidade do município, o frei Diego Nunes diz que a maior demanda está concentrada em Mogi.

“Em 90% dos casos são usuários de drogas, com problemas com a família até pelo vício. Como a casa tem um cunho religioso, e a gente acredita que eles não vão conseguir uma libertação se não por Deus, eles se frustram. Mas ainda assim a gente não deixa de oferecer o nosso serviço”, explica o frei.

Quem quiser ajudar a Casa Francisco de Assis com café, açúcar, leite, margarida ou de outra forma, pode ligar para 4735-2015.

Agricultura teme geada e perdas na produção

DANOS Josemir de Moraes lembra que chuva já penalizou setor. (Foto: Eisner Soares)

As baixas temperaturas também influenciam na produção de hortaliças porque atrasam o desenvolvimento delas. A alface, por exemplo, aumenta em cerca de 30% o tempo de crescimento. No entanto, essa situação já é esperada pelos produtores rurais da região, que vivem esse cenário todos os anos durante os dias mais frios do inverno. O que preocupa o agricultor é a possibilidade de geada que vem sendo levantada nos últimos dias, mas que ainda não atingiu Mogi das Cruzes.

O diretor do Sindicato Rural de Mogi das Cruzes, Minoru Mori, afirma que apesar de 2019 estar um ano atípico, principalmente pelo alto volume de chuva, registrado na semana passada, até o momento ainda não é possível afirmar se neste inverno as hortaliças ficarão mais caras.

“É uma época do ano em que as pessoas mudam os hábitos na hora de comer, trocando as hortaliças pelos legumes. Então vai depender muito da oferta e demanda, para sabermos como ficará o preço. De qualquer forma, o inverno é conhecido por hortaliças com preço baixo e boa qualidade”, destaca.

Produtor rural há 40 anos no distrito de Jundiapeba, Josemir Barbosa de Moraes já enxerga o reflexo do inverno na plantação de cebolinha. Segundo ele, os maços estão menores e o preço deu uma pequena elevada, de R$ 3,50 para R$ 4,00.

“A gente pode exemplificar a situação com o alface. Ele demora entre 45 e 50 dias para ficar pronto para a venda, mas com o frio, esse periodo chega a 60 dias. Isso causa um atraso na venda, mas ainda não podemos falar em prejuízo. Graças a Deus ainda não teve a geada, mas a previsão para os próximos dias não está nada agradável”, ressalta o produtor.

Josemir lembra ainda que as fortes chuvas registradas em fevereiro, março e abril deste ano causaram prejuízos na produção dos folhosos e que só agora, passados três meses, a produção estava se recuperando. “Mas trabalhar com agricultura é assim mesmo, o fator tempo influencia demais na produção. Agora é esperar também pelo comportamento das pessoas, se vai diminuir realmente o consumo da hortaliça com a chegada do frio”, destaca.